13 de maio não é uma data de comemoração para o povo negro

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Diretor da Secretaria de Combate ao Racismo da FETEC-CUT-PR, Ivai Lopes Barroso, refuta a celebração de 13 de maio e reafirma o 20 de novembro como Dia da Consciência Negra

Às vésperas do dia 13 de maio, historicamente celebrado como dia da “Abolição da Escravatura”, um debate importante para todos os trabalhadores é entender porquê o povo negro não comemora a data. Ivai Lopes Barroso, diretor da Secretaria de Combate ao Racismo da FETEC-CUT-PR, explica que o 13 de maio foi por muito tempo oficializado através de propaganda institucionalizada de um evento histórico tido como uma bondade humanitária de uma princesa. “Contudo, ao contrário, a abolição não representou a emancipação efetiva da população escravizada. Não houve por parte dos governos medidas institucionais e políticas públicas que promovessem a integração dos negros à sociedade. Os negros foram deixados à própria sorte, sempre desprotegidos e discriminados”, explica o dirigente. Conforme descreve Ivai, esse descaso por parte da falta de políticas públicas de inserção dos negros, resultou na ocupação das periferias das cidades, formando um contingente de marginalizados.

Uma forma de respeitar a luta do povo negro e não fomentar o racismo, diz Ivai, é todo branco reconhecer seus privilégios da branquitude e se solidarizar com a luta dos negros. “Primeiro entendendo historicamente que o racismo não é um resquício de uma sociedade arcaica e sim um elemento central que sempre esteve na formação do capitalismo, principalmente o brasileiro, e isto só já basta para qualquer branco enxergar a opressão racial dentro dessa lógica. Isso pode fazer com que eles enxerguem a necessidade de articular a luta contra o racismo”.

20 de novembro: Dia da Consciência Negra

A data do dia 20 de novembro é o dia da morte de Zumbi dos Palmares, líder dos quilombos e símbolo da resistência e luta do povo negro escravizado, e por isso é a data que o povo negro brasileiro escolheu para representá-los. “A importância de se respeitar o lugar de fala de um negro é o lugar da resistência. Só quem pode resistir é quem sente a dor. Por mais que a solidariedade se faça, é somente o negro quem pode reproduzir como o racismo se apresenta. É quando ele é parado pela polícia, quando é nitidamente vigiado por seguranças de lojas, quando recebe salário menor na mesma função. Ou seja, quando sofre ataques violentos diretos ou os efeitos da estrutura montada para a a exclusão institucional dos negros”, contextualiza Ivai.

O dirigente também explica como essa situação do povo negro se reflete na categoria bancária. “É simples perceber. É só ir a uma agência bancária e contar quantos negros lá existem ou olhar nas fotos dos Sindicatos nos eventos, ou ainda, a composição das diretorias. A maioria são brancos, é o que reflete fielmente a não representação e explica o processo de exclusão”, define.

Na categoria bancária, existem algumas ferramentas para que se garanta a igualdade de oportunidades, não só para negros, mas para a equiparação de gênero. Mas para Ivai, as garantias estabelecidas na Convenção Coletiva de trabalho, por exemplo, não são suficientes, e não há limites para que se defenda a igualdade de oportunidades. “As instituições são espaços que violentam brutalmente os indivíduos. Quando se assiste uma sessão do Congresso Nacional, quando se tem uma novela ambientada onde a população é 85% de negros e o seu elenco é totalmente branco, quando você vê uma sessão do Judiciário. Nessas ocasiões você é capaz de perceber que nesses espaços geralmente só têm pessoas brancas e que esses espaços são de poder e que eles estão lá somente para a manutenção de seus privilégios, garantindo políticas que não deem oportunidades para os negros. Por isso temos sempre que deixar de ser vistos como elementos passivos. Para nossa luta nos transformar em agentes importantes no processo de transformação da sociedade”.

Edição: Paula Zarth Padilha
Fotos de arquivo pessoal
FETEC-CUT-PR

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