A comunicação popular ganhou o Rio de Janeiro

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Na última quinta-feira, 25 de maio, militantes da comunicação popular e sindical, artistas que cantam a voz das favelas, intelectuais e historiadores, atenderam ao chamado de Claudia Giannotti, coordenadora do Núcleo Piratininga de Comunicação, e, com muita ousadia, ocuparam a Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, para fazer do 1º Festival de Comunicação Popular e Sindical um sucesso.

Claudia Giannotti, coordenadora do Núcleo Piratininga de Comunicação. Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males

Dezenas de barracas formaram um círculo em torno da praça em frente à Câmara de Vereadores e do Theatro Municipal e, recheadas de experiências de comunicação feita por veículos de imprensa alternativos e pela grande redação da comunicação sindical que existe no país, paravam a população que passava por lá.

Construído via crownfunding (financiamento coletivo pela internet), o Festival tinha um palco central, de frente para as escadarias da Câmara, para cumprir sua programação pedagógica, cultural, e pela democratização da mídia. Aulas populares acompanhadas por quem passava destrincharam a Revolução Russa, a greve geral e a luta pela jornada de trabalho no Brasil, as diferenças entre o que a comunicação alternativa deve fazer para contrapor a informação de quem detém o poder dos meios de massa.

O palco também estava com o microfone aberto para os artistas e militantes que representaram os morros e denunciaram as dificuldades de morar à margem do asfalto. Apresentações de rap, funk. Exibição de documentário produzido por alunos do cursinho popular do NPC. E o encerramento, já com a noite alta, ficou por conta do grupo É Preta, um coletivo de ao menos dez mulheres negras que se juntaram para cantar o samba e, também fazer da música suas vozes de resistência e luta contra o preconceito.

Grupo de samba É Preta encerrou o festival. Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males

O Terra Sem Males participou de tudo isso, com muito orgulho. Estávamos lá contando para quem passava em nossa barraquinha o que é esse tal de jornalismo independente. Muita gente ainda não conhecia o trabalho (voluntário) do nosso coletivo de jornalistas que cresce a cada dia.

Mas de todas essas mensagens que tentei descrever aqui sobre essa linda iniciativa de um festival de comunicação popular e sindical que ocupou um espaço público durante um dia e uma noite, com sua praça, suas escadas, suas ruas (e que deslocou mais de dez viaturas da PM durante todo o tempo em que se realizou), no centro do Rio de Janeiro, com muito trabalho e dedicação de toda a equipe do NPC, a mais forte que eu posso descrever para vocês é VITO VIVE.

(Vito Giannotti fundou o Núcleo Piratininga de Comunicação junto com Claudia Giannotti há mais de 20 anos. Ele morreu em 2015 e sua mensagem, seu trabalho e sua luta continuam vivos em todos os comunicadores populares que o conheceram e aprenderam com ele).

Confira aqui fotos do 1º Festival de Comunicação Sindical e Popular.

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

Fotos: Joka Madruga

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