A “qualidade de vida” que Belo Monte oferece

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Vista de parte do reassentamento Casa Nova, em Altamira-PA. Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males

Nas propagandas oficiais, seja de uma empresa ou governo, não se produz matérias contrárias a si mesmo. Óbvio. E é certo também que as pessoas querem melhorar de vida e muito tem se falado de “qualidade de vida”. Mas o que é isto? Apenas ter um teto e quatro paredes pintadas por fora de amarelo, azul, vermelho ou verde? Ter asfalto na porta de casa, mas os quilômetros da estrada que separam o bairro novo da cidade serem ainda de terra? Não ter posto de saúde e muito menos escola e creche? Depender de caronas, pagar numa corrida de mototáxi R$10,00 ou R$40,00 de deslocamento para resolver questões de saúde ou outros assuntos, no centro da cidade?

Acredito, amigo leitor, que você deve concordar comigo que ter apenas uma casa nova não significa ter qualidade de vida. Ainda mais quando você não pediu para ser realocado.

Contradição: ao lado do reassentamento Casa Nova o anúncio da criação de um bairro planejado com ofertas de faculdade, shopping e área de lazer. Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males

E assim vivem os moradores do reassentamento “Casa Nova”, distante da cidade e sem infraestrutura. Assim fez a Norte Energia, empresa responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Tirou as pessoas de uma situação ruim e piorou um pouco mais. Pois somente a casa não resolve os problemas delas.

Dona Maria Luiza no meio de duas filhas na casa nova. Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males

Dona Maria Luiza é goiana e morou oito anos no Baixão Tufi, um bairro de palafitas. Mora há três meses no reassentamento. Tem uma inflamação na perna esquerda e não consegue se locomover com facilidade e precisa ir duas vezes por semana fazer o curativo. Ela vai de mototáxi e gasta por semana, ida e volta, R$40,00. No mês são R$160,00, que lhe faz falta no orçamento mensal. Ela gostava de morar no Baixão por causa da facilidade de acesso ao centro da cidade. Na nova residência, a falta de um posto de saúde e do transporte público dificulta sua vida e dos outros moradores. “Não tem transporte, aí fica ruim”, afirma dona Maria.

Por Joka Madruga
Terra Sem Males

O repórter fotográfico Joka Madruga está em Altamira (PA) pelo projeto Águas para a Vida. As informações estão sendo publicadas em seus perfis nas redes sociais e no portal terrasemmales.com.br.

Sua viagem foi viabilizada com financiamento coletivo (crowdfounding). Para contribuir acesse: jokamadruga.com/aguas.

 

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