A verdade nos libertará

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Neste três de maio celebramos o Dia da liberdade de imprensa. É até irônico o termo “celebração” quando temos sofrido com repressão, censura e violência em pleno século 21. Em pleno 2018.
E não podemos deixar de mencionar o quanto nós jornalistas nos inserimos nesse campo de perseguição.
 
A imprensa tem grande responsabilidade nisso.
 
Embora sejamos uma sociedade heterogênea, bastante diversa – e que bom sermos tão diferentes – temos nos unido a um pensamento único porque nos transformamos no que lemos, ouvimos ou assistimos na mídia.
A mídia tem cada vez mais trocado seu papel de informar por tentar influenciar os rumos da nação, escolhendo a narrativa que mais lhe agrada e, muitas vezes, abrindo mão do jornalismo.
 
Não, não é o único problema. Temos sérias dificuldades na educação básica, na formação das famílias, na cultura, no sistema político e judiciário, mas não podemos nos isentar enquanto imprensa.
É o sonho de muitos estudantes de jornalismo trabalhar em uma empresa célebre, um veículo comercial que dispensa apresentações porque todos reconhecem imediatamente. 
Sim, passar por uma grande redação é importante. Mas existe uma grandiosidade no jornalismo que independe de onde se trabalha. É a relevância social, o olhar voltado para as minorias, a transformação por meio da notícia e de como ela é transmitida.
 
E qual liberdade temos para fazer isso dentro dos grandes veículos? 
O fato de ser minoria impede de termos espaço e voz? Não!
 Por que temos, então, que nos tornar reféns das Hard News? Por causa dos likes?
 
Os meios de comunicação alternativos nunca tiveram tanto espaço, mas ainda são poucos para combater essa sociedade hegemônica. Até quando vamos continuar consumindo notícia só pelo oligopólio da mídia?
 
A espiral do silêncio zomba de nós. Na teoria proposta pela filósofa e política alemã Elisabeth Noelle-Neumann o importante são as opiniões dominantes.
A teoria nos vê assim: Calados, compactuando com os meios de comunicação por medo do que pensa a maioria. E, por estes, temos a formação da opinião pública.
Mas e se a maioria forem outros? E se a maioria silenciosa for o que chamamos de minoria? Permaneceremos assim?
Estamos enraizando o ônus social por medo de admitir uma ideia diferente. E sem pensar, muitas vezes, que a censura começa na autocensura.- “Eu não vou me pronunciar porque vão rir de mim.”
 
E eis que o medo começa a se transformar em um egoísmo desmedido.
– “Eu não vou reclamar que o meu estágio é de seis horas porque senão vão contratar outro!”
– “Não importa se ganho abaixo do piso, o que importa é ter um emprego”.
– “E daí se não sou formado e estou tirando emprego de um profissional?”
– “Não vou denunciar que meu colega está sendo assediado, senão posso me complicar”.
– “Não vou questionar esse governo porque ele paga o meu salário”.
– “Fulano tinha que apanhar mesmo: quem mandou apoiar movimento social?”
 
Estamos assumindo um antijornalismo por covardia e esquecendo-nos da democracia, das leis, do bom senso. Viramos caçadores de cliques. Somos ofensivos, a qualquer custo.
 
Nós, jornalistas e professores, temos papel nessa mudança.
Você, futuro jornalista, tem papel nessa mudança.
 
Vamos chegar onde eles não chegam. Vamos noticiar o que eles não noticiam. Vamos relembrar o papel social do jornalismo.
 
Nós temos uma ferramenta muito mais poderosa que qualquer equipamento, que qualquer câmera filmadora, que qualquer veículo de comunicação: Nós temos ética. E temos também todo o futuro pra revolucionar.
 
Vamos promover a liberdade de imprensa. Mas antes de tudo vamos buscar a verdade.
Curitiba-PR, 3 de maio de 2018.
 
por Silvia Valim
Jornalista, diretora de Formação do Sindijor-PR, professora universitária e integrante da equipe de colaboradores do Terra Sem Males
 

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