Acampamento de Castro comemora 4° aniversário com Festa da Semente Crioula, no Paraná

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Todas famílias da comunidade produzem de maneira agroecológica desde o primeiro dia de ocupação, em 2015, mas agora estão sob ameaça de despejo

Julyara Costa e Thaisson Campos, com Setor de Comunicação e Cultura do MST-PR

Neste sábado dia (21/09) acontece a 2ª Festa da Semente Crioula no Acampamento Maria Rosa do Contestado, no bairro do Maracanã, no município de Castro, Paraná. A festa terá início às 9 horas, com palestra, culto ecumênico e o almoço a partir das 12h30. Também haverá o bolo para festejar o 4º aniversário do Acampamento, animado com baile a partir das 16h30. Todos os participantes estão convidados a levar suas sementes crioula para fazer a troca.

Em tempos de liberação massiva de agrotóxicos, as família acampadas são um exemplo de produção de alimentos saudáveis. Todas as 230 famílias do acampamento produzem de maneira agroecológica desde o primeiro dia de ocupação. A produção é diversificada, entre feijão, milho, trigo, soja, batata, trigo, aveia e hortaliças.

Tendo em mãos a estimativa anual da produção, podemos ver que dentro de 4 anos os produtores conseguiram chegar ao um grande grau de plantação: no últimos ano foram 100 toneladas de milho, 650 toneladas de feijão de diferentes tipos, 1,2 toneladas de amendoim, 9 toneladas de arroz, 150 toneladas repolho.

As estufas para produção da cultura foram todas feitas de bambu e materiais mais resistentes e menos ofensivos à natureza. Hoje a comunidade conta com Cooperativa dos Trabalhadores da Reforma Agrária Maria Rosa do Contestado (CMRC), para comercialização e auto sustentação das famílias. A comercialização na maioria das vezes é realizada de casa em casa, nas ruas do município de Castro, Carambeí e Ponta Grossa, e também em pequenos restaurantes.

Ameaça de despejo
Apesar dos resultados significativos para as famílias e para a região, o acampamento está sob ameaça de despejo. A ocupação da área aconteceu em 24 de agosto de 2015, quando as famílias de trabalhadores rurais sem-terra ocuparam a fazenda Capão do Cipó, de propriedade da União, mas, que na época, estava sendo utilizada ilegalmente pela Fundação ABC, uma empresa de pesquisas filiada as cooperativas Castrolanda, Arapoti e Batavo.

Desde abril de 2014 havia um pedido de reintegração de posse contra a fundação ABC, com multa diária de R$ 20 mil reais. Mas, somente após a ocupação da área pelo MST, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) declarou interesse social para fins de reforma agrária, com o projeto de transformar as terras em assentamento, com referência na produção agroecológica e familiar. As famílias acampadas estão organizadas em núcleos de aproximadamente 10 famílias, a partir dos quais tomam decisões coletivas, organizam parte da produção e comercialização.

Educação e organização
No acampamento as mulheres se reúnem em um grupo auto-gestado semanalmente, para tratar de assuntos específicos das mulheres, bem como desenvolver atividades de artesanatos.

A comunidade produz se organiza para cursos formação política e de alfabetização de jovens e adultos. A juventude do acampamento também participa com frequência de cursos que promovem cultura, arte, lazer e formação política. A comunidade desenvolve atividades de literatura, cinema e batucada.

As crianças do acampamento estudam em escolas de ensino fundamental e médio, fora do acampamento, distantes aproximadamente 15 quilômetros. Se deslocam até as escolas em transporte da Prefeitura Municipal.

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