Acampamento em Curitiba sofre ataque a tiros na madrugada

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Na madrugada deste sábado, 28 de abril, um ataque a tiros no Acampamento Marisa Letícia, que abriga a população em vigília nos arredores da Polícia Federal, em Curitiba, onde Lula está preso, deixou duas pessoas feridas, uma delas atingida no pescoço foi encaminhada para internamento no Hospital do Trabalhador. De acordo com a organização do acampamento, os tiros foram disparados por volta das 4h.

A comunicação do acampamento divulgou que informações de testemunhas são de que havia movimentação de carros passando em frente ao local, rua Padre João Wislinski, 260, no bairro Santa Cândida, desde às duas da madrugada, gritando palavras de ordem a Jair Bolsonaro.

Imagem da roupa utilizada pelo militante ferido, divulgada pela organização do acampamento.

Em nota, a vigília Lula Livre e as diversas organizações que a integram, repudiaram o ataque a tiros e denunciam o caráter de tentativa de homicídio “motivada pelo ódio e provocação de quem não aceita que a vigília é pacífica, alcança três semanas e vai receber um Primeiro de Maio com presença massiva em Curitiba”.

Queima de pneus denuncia atentado a tiros contra acampamento ocorrido na madrugada deste sábado, 28 de abril. Foto: Neudicleia de Oliveira/Brasil de Fato.

No início da manhã, os acampados trancaram uma das ruas do bairro Santa Cândida, por onde circulavam os carros que partiram os tiros, para denunciar à população o atentado.

Rua João Dembinski foi fechada por manifestantes na manhã deste sábado, 28 de abril. Foto: Neudicleia de Oliveira/Brasil de Fato

Após a queima de pneus, as lideranças do Acampamento Marisa Letícia se reuniram com os militantes acampados para buscar encaminhamentos e cobrar investigação das autoridades sobre o ataque.

Militantes retornaram ao acampamento após manifestação. Foto: Neudicleia de Oliveira/Brasil de Fato

O militante ferido é Jeferson Lima de Menezes, de São Paulo, que foi atingido à bala no momento em que formava a equipe de segurança do acampamento, que é feita por sistema de revesamento pelos próprios militantes acampados.

Polícia esteve no local realizando perícia. Foto: Neudicleia de Oliveira/Brasil de Fato.
Segunda vítima ferida é uma mulher que foi atingida por estilhaços de bala que perfuraram banheiros químicos. Foto: Gibran Mendes.

Confira Nota Oficial da Vigília Lula Livre:

A vigília Lula Livre e as diversas organizações que a integram repudiam de forma veemente o ataque a tiros contra o acampamento Marisa Letícia, ocorrido na madrugada de hoje (28) e que resultou em duas pessoas feridas, uma delas de forma grave, com um tiro no pescoço.

A sorte de não ter havido vítimas fatais não diminui o fato da tentativa de homicídio, motivada pelo ódio e provocação de quem não aceita que a vigília é pacífica, alcança três semanas e vai receber um Primeiro de Maio com presença massiva em Curitiba. Não nos intimidarão!

No fundo, é uma crônica anunciada. Desde o dia quando houve a mudança de local de acampamento (17), cumprindo demanda judicial, integrantes do movimento social haviam sido atacados na região. Desde aquele momento, a coordenação da vigília já exigia policiamento e apoio de viaturas, como foi inclusive sinalizado nos acordos para mudança no local do acampamento.

“Nós desmanchamos o acampamento cumprindo ordem oficial. Fizemos a opção de ir para um terreno e seria garantida a segurança. Agora o que cobramos da Secretaria de Segurança Pública é investigação, que identifique o atirador”, enfatiza Dr Rosinha, presidente do PT estadual e integrante da coordenação da vigília.

Seguiremos com nossas atividades, lutas, programação e debates da vigília. A cada dia vai se tornando cada vez mais impressionante como, mesmo preso, a figura do ex-presidente Lula, a força moral que ganha, as denúncias contra a injustiça de sua prisão, tudo isso causa desespero nos seus algozes.

Por isso, estamos no caminho certo e venceremos! Em repúdio contra a violência, realizamos o trancamento da rua na região e seguiremos lutando.

Convocamos a sociedade e as pessoas que prezam pela democracia, pelo livre direito à expressão, pela diversidade de vozes na política, que somem-se a nós na vigília. Não aceitaremos tentativas de retrocesso que já nos custaram muitas lutas e vidas.

Vigília Lula Livre, 28 de abril de 2018.


Por Paula Zarth Padilha
Foto/destaque: Barack Fernandes/Contag
Terra Sem Males

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