Artigo | Muito prazer, somos o MST!

Colabore com o jornalismo independente, compartilhe.

Por Ceres Hadich, que é mestre em Agroecologia e Agricultura Sustentável, agricultora e assentada no norte do Paraná, integrante da Direção Nacional do MST*

Foto: Joka Madruga

Há pouco mais de 36 anos, no oeste do Paraná, surgia um movimento camponês que traçaria um novo capítulo da questão agrária no Brasil. Tratava-se do MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que reunia famílias camponesas atingidas pela barragem de Itaipu, posseiras, meeiras, arrendatárias para fazer a luta pelo direito à terra e à reforma agrária de maneira organizada.

O direito à terra, pauta democrática, legítima e necessária, logo se legalizou, ao ser garantido a todos e todas as brasileiras pela Constituição Federal de 1988. Porém, alterar a estrutura de um país historicamente concentrador e construir um campo mais justo foi e segue sendo uma batalha permanente.

Na luta contra a hegemonia do “Agro”, a agricultura camponesa segue seu rumo histórico, de produzir alimentos e fazer com que ele chegue ao povo brasileiro. O Censo Agropecuário de 2006 comprovou que 70% dos alimentos são produzidos pela agricultura familiar. É fruto do trabalho camponês mais de 90% das hortaliças e da mandioca, 80% dos legumes, quase 90% do feijão e da carne, ainda que a maior parte da terra não esteja sob controle dessa categoria.

Neste mesmo sentido, a Reforma Agrária Popular é maneira como o MST expressa sua visão e proposta de vida, trazendo a produção de alimentos saudáveis para o povo brasileiro. Na síntese da palavra de ordem: “Lutar, construir Reforma Agrária Popular”, temos a afirmação dos pilares da luta, como forma de organizar o povo para conquistar direitos; da construção, como parte de um processo de transformações e acúmulo de forças e da Reforma Agrária Popular, como ferramenta da classe trabalhadora, e não somente de quem está no campo. Por isso, a produção de alimentos com fartura, qualidade, diversidade e a preços acessíveis é o grande desafio do MST.

Para nós, alimentos saudáveis também são sinônimo de valores humanistas, solidários. E assim, iniciamos neste abril, durante a pandemia da covid-19, uma ação continuada de doação de alimentos às populações vulneráveis em diversos municípios do estado e em todo o Brasil. Na semana do dia 17, quando se completou 24 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, distribuímos quase 50 toneladas de alimentos. Desde então, semana a semana estamos seguindo com ações, chegando nesta quinta-feira (21) a 98 toneladas. Solidariedade é compartilhar o que temos, e não o que nos sobra. Esse é o sentido da luta e da construção da Reforma Agrária Popular.

*Artigo publicado originalmente na coluna de Ceres Hadich no site Brasil de Fato Paraná

Clique aqui para ler sobre REFORMA AGRÁRIA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *