As difíceis saídas da crise

Compartilhe esta notícia.

Desde 2009, movimentos populares como o MST, a organização Consulta Popular, entre outros, definiram que a crise do capitalismo era, desde aquele momento, prolongada, internacional, e profunda.

Seu componente de financeirização se alia ao componente de superprodução – mercadorias que não se realizam na capacidade de consumo dos trabalhadores. Toneladas de capitais que circulam sem capacidade de se tornar investimento produtivo.

É uma crise complexa. À sua não resolução acrescentamos também o conceito de crise permanente desde aquele período, e que agora a nova crise das bolsas comprovou que a análise estava correta. Hoje, a dívida do planeta é de US$ 253 trilhões, 322% do PIB mundial, de acordo com o site Valor Econômico.

Se olharmos para trás, o capitalismo desde 1973, não consegue repetir os padrões de lucro e acumulação que marcaram o final da segunda guerra – o que o economista Chesnais chamou de “o ciclo de acumulação ininterrupta do Capital”, de 1945 e 1973.

Reparem como, ainda desde a década de 70, com a implantação do neoliberalismo no Chile, na Inglaterra, nos EUA, esse país central tem apenas “voos de galinha”, crises periódicas e com isso necessita recorrer a guerras localizadas e golpes no Oriente Médio, África e em nossa América Latina.

O ponto aqui é que esse modelo em crise, que conduz ao olho da barbárie, que se desdobra em crises ambientais, sanitárias, humanitárias, éticas, já provou que não cai sozinho. Precisa da ação organizada de trabalhadores e trabalhadoras e frações aliadas – algo inclusive que neste exato período contém enormes dificuldades.

As Frentes e as organizações de esquerda precisam colocar a questão central no xadrez. Não é apenas ter o esclarecimento do declínio do capital, mas oferecer, construir e criar referência na classe trabalhadora para um programa que expresse alternativa de poder.

O exercício não é simples e nem de convocatória. Nosso movimento da classe trabalhadora até então é defensivo, de um período de redução do número de greves e extrema dificuldade nas organizações sociais e sindicais de apresentarem uma base social consistente.

Ou seja, a correlação de forças entre as classes sociais é desfavorável.

O que fazer?

Pedro Carrano, jornalista e escritor. | Foto: Joka Madruga

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *