AS REDES SOCIAIS SÃO UM PROBLEMA NO JORNALISMO SINDICAL?

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Painel debate o jornalismo no mundo das redes sociais

Na manhã desta quinta-feira, 24 de setembro, durante o 3º Seminário Unificado de Jornalismo Sindical, os jornalistas Breno Altman e Gustavo Gindre falaram do atual contexto de trabalhar com comunicação no país: o uso das redes sociais como propagação de informação.

Para Gustavo Gindre, no contexto em que vivemos as redes sociais são um problema grave para o jornalismo. Com o uso das redes sociais, o papel de mediador da informação não é mais do jornalista, mas de algoritmos. “Facebook, google e outras redes sociais têm mediação por máquinas, que mapeiam comportamentos e te oferecem mais do mesmo”, diz o jornalista que é Mestre em Comunicação e Cultura.

Ele exemplificou que quando há a interação, não interessa se você está criticando ou elogiando, se você gosta ou se você odeia. O sistema vai te oferecer sempre os mesmos temas e outros relacionados para consumo, porque desperta seu interesse e te mantém conectado naquele lugar.

“Os usuários de redes sociais geram e produzem valor para alguém. Esse valor é apropriado de forma privada. Estamos trabalhando para eles”, explica Gustavo sobre a lógica do uso do facebook.

Ele finaliza que esse é um novo desafio: a comunicação nas redes sociais com critério que não é ideológico, é de tempo de retenção naquela página. “Na globosfera estamos flertando com a lógica da agitação e propaganda, sem compromisso com a realidade, não constituindo alternativas. Isso não é jornalismo. O jornalismo precisa assumir o papel da mediação”, Conclui Gustavo Gindre.

Janela de oportunidades. Que está se fechando.

Para Breno Altman, jornalista do site Ópera Mundi, direcionado a reportagens internacionais, vivemos numa janela de oportunidades, com novas tecnologias que permitem a mais grupos construir meios de informação.

Em contrapartida, ele defende que estamos num momento de percepção democrática ilusória com a internet. “O jornal nasce democrático e se transforma em concentrado e classista. A internet sofre o mesmo processo de concentração, mas ainda é possível fazer essa disputa”, convoca.

Ele também aponta o uso das redes sociais como desafio. “A blogosfera tem uma experiência limitada. Alguns sites jornalísticos de esquerda até tem uma audiência razoável, mas ser a alternativa ainda é um consolo”. Altman alerta para que o jornalismo contra hegemônico não se torne anti hegemônico, que é o jornalismo ruim, só de agitação e propaganda.

Altman relembrou aos participantes que nos anos 1980 e 1990, o maior grupo de comunicação do país era a soma de todos os jornais sindicais. E que hoje se produz muito menos.

Acesse aqui para ler a matéria no site do Sindicato dos Bancários

 

Saiba mais: COMUNICAÇÃO SINDICAL PARA MUDAR A FORMA DE PENSAR

 

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males / SEEB Curitiba

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