Assentamento Eli Vive, do MST, doa 7,5 toneladas de alimentos para moradores de Londrina no Paraná

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Ação faz parte da campanha de solidariedade do MST que ocorre em todo o Brasil, para ajudar a população urbana que já sofre os efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus.

Do MST Paraná | Foto: Jovana Cestille

Neste sábado de Aleluia (11), as famílias do Assentamento Eli Vive doaram 7,5 toneladas (7.500 quilos) de alimentos para cerca de 500 famílias moradoras da região sul de Londrina, norte do Paraná. Mandioca, batata-doce, leite, chuchu, quiabo, abóbora, abacate, mamão, banana, arroz, fubá, e outras dezenas de variedades de alimentos estão entre os itens produzidos e doados pelos camponeses da comunidade. 

A ação faz parte da campanha de solidariedade do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que ocorre em todo o Brasil, para ajudar a população urbana que já sofre os efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus. “Nós achamos que podemos dar a nossa contribuição como sociedade, como humanidade, participando dessa doação de alimentos para que as famílias possam passar pelo menos o sábado de aleluia e o domingo de Páscoa com uma alimentação mais completa, mais saudável”, afirmou José Damasceno, da coordenação estadual do MST. 

Luiz Carlos de Camargo, presidente da Associação de Moradores do Jardim Franciscato, um dos bairros que recebeu as doações, relatou já haver falta de alimentos para moradores da região por consequência da pandemia: “Estamos passando por um momento de muita dificuldade. Muitas famílias aqui da periferia estão passando por necessidade, tanto pela questão do desemprego, quando pelas dificuldades de infraestrutura que temos aqui no bairro. Nós somos muito grato com as pessoas que estão se solidarizando”. 

Sandra Aparecida Costa Ferrer, coordenadora do assentamento, explica que a doação de alimentos é possível porque as famílias Sem Terra fizeram a luta pela reforma agrária e hoje produzem com fartura: “Nesse momento a gente pode ajudar quem mais precisa e estar presente com os alimentos de qualidade”. 

O assentamento foi criado em 2011 com 501 famílias, e está localizado no Distrito de Lerroville. A produção da comunidade é comercializada de forma coletiva por meio da Cooperativa Agroindustrial, de Produção e Comercialização Conquista (Copacon). Seis toneladas de alimentos são entregues toda semana a 97 escolas do estado, por meio do Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE). O Coletivo das Mulheres Camponesas tem produção 100% agroecológica e entrega cerca de 200 pedidos semanalmente a moradores de Londrina. 

Alimentos do sonho de uma sociedade justa

Para o Padre Dirceu Fumagalli, integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), a ação de solidariedade realizada no sábado de Aleluia é carregada de religiosidade: “Esse gesto, neste sábado da Aleluia, é um momento favorável para todos nós de refletirmos, celebrarmos. O MST vem até as comunidades, através do seu trabalho, também alimentar a esperança dessas comunidades. Não simplesmente saciar a fome física, mas realimentar os sonhos, o sonho daquilo que é possível”, garante o religioso. 

Para o integrante da CPT, a ação do sábado de aleluia é extremamente simbólica, porque o dia está entre a sexta-feira da morte e o domingo da vida e da ressurreição. “Fazer uma ação solidária nesta manhã é colocar na frente da sociedade essas duas opções. Ou a gente fica nessa desesperança da sexta-feira da morte, ou nos realimentamos na utopia, inclusive proposta pelo MST, para juntos celebrarmos a Páscoa do Senhor. Esses produtos da terra, do trabalho dos camponeses, camponesas serão transformados em alimento que vem não só sustentar o corpo, mas a utopia de juntos construirmos uma sociedade mais plena de vida, onde essa sociedade possa ser mais solidária, mais justa, mais acolhedora”. 

Ações de solidariedade em todo o estado

Foto: Jovana Cestille

A exemplo do que tem ocorrido em vários estados brasileiros, os acampamentos e assentamentos do Paraná estão realizando doações de alimentos em todas as regiões do estado. Na terça-feira, dia 7, 5 toneladas de alimentos orgânicos foram doadas pelos acampamentos Maria Rosa do Contestado e Padre Roque Zimmermann, em Castro, e o pré-assentamento Emiliano Zapata, em Ponta Grossa.

Em Castro, 3 toneladas de alimentos foram doadas a cinco Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). Já em Ponta Grossa, 2 toneladas de produtos foram destinadas ao Banco de Alimentos do Serviço de Obras Sociais (SOS), da Prefeitura Municipal.

Nesta sexta-feira (10), comunidades do Oeste do Paraná também organizaram a arrecadação de 2 toneladas de alimentos para doar aos povos indígenas da etnia Guarani, moradores de reservas da região.

Ainda neste sábado de Aleluia, o acampamento Maila Sabrina, de Ortigueira, doou 14 toneladas de alimentos para ocupações urbanas de Curitiba. Na região Centro do estado, cerca de 2 toneladas de produtos foram doadas a famílias urbanas na quinta-feira (9) e neste sábado (11).

Além de comida, a Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória (Copavi), localizada no assentamento do MST Santa Maria, em Paranacity (PR), doou 60 litros de álcool 70% para o Hospital Municipal Doutor Santiago Sagrado Begga. O álcool será usado pelos profissionais de Saúde do município.

No Paraná, 7 mil famílias vivem em 70 acampamentos do MST e cerca de 25 deles enfrentam o risco do despejo. O estado tem 24 mil famílias assentadas, que moram em 369 assentamentos da reforma agrária.

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