Atingidos de Brumadinho temem contaminação de lençol freático com depósito de rejeitos na cava da mina Córrego do Feijão

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Foto: Joka Madruga

Vale irá lucrar com o crime

A mineradora Vale iniciou nesta semana o depósito dos rejeitos da barragem B1, que rompeu em 25 de janeiro de 2019, na cava da mina Córrego do Feijão. Atingidos da comunidade do Córrego do Feijão, a primeira a ser atingida, denunciam que os resíduos ali depositados podem contaminar o lençol freático de toda a região de Brumadinho. 

Segundo a comissão de atingidos, os licenciamentos ambientais concedidos pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento –SEMAD, não consideraram os contaminantes presentes no rejeito da barragem e não houve consulta popular para tal determinação. 

“Sabemos que o Instituto de Gestão das Águas (Igam) proibiu a utilização do rio Paraopeba e a Copasa não está fazendo a captação de água. Além disso, não há análises confiáveis sobre a condição da nossa água. É a contradição dentro dos próprios órgãos de estado em favor da Vale. Não queremos mais mortes por doenças na nossa região. Não podemos permitir que a lógica perversa que ceifou mais de 270 vidas siga impune, a Vale não pode lucrar com o crime de Brumadinho” relata integrante da Comissão de Atingidos da comunidade do Córrego do Feijão.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) aponta preocupação com as ações da Vale no meio ambiente na região. No ano passado a Vale também recebeu autorização para o depósito do rejeito sobre a comunidade do Pires, como parte do Plano de Contenção de Rejeitos. Foi construída uma Estação de Tratamento de Água para receber os sedimentos tóxicos dragados do rio, desidratá-los e armazená-los em “bolsas ecológicas” — ou tubos geotêxteis, e implantá-los acima do povoado. 

Reaproveitamento de rejeito

Em 2018 o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) autorizou o licenciamento ambiental para o descomissionamento da barragem B1, que trata da retirada de todo o rejeito de minério de ferro e a recuperação da área ambiental. O reaproveitamento do rejeito se daria ao passar o material retirado por um tratamento, que geraria um produto comercializável e um produto não comercializável.

“Com o rompimento da barragem, ficou mais fácil para Vale fazer o reaproveitamento do minério que tinha na B1, só que agora com o sangue dos trabalhadores. O que a mineradora vem divulgando na grande mídia é a disposição ecológica, sem criar novos barramentos de rejeito, mas sabemos que é um rejeito rico e que a mineradora vai lucrar com o crime”, denunciam atingidos da comunidade do Córrego do Feijão.

Onze jóias ainda não encontradas

Os materiais retirados do percurso da lama serão vistoriados e liberados por equipes do Corpo de Bombeiros que estão à procura de onze vítimas ainda não encontradas. O crime da Vale ceifou 272 vidas , contaminou todo o rio Paraopeba e comprometeu o abastecimento de água da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Do site do Movimento dos Atingidos por Barragens

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