Atingidos pela Samarco em Mariana são surpreendidos com proposta de negociação dos seus terrenos

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Falta de tempo para discutir o acordo causa indignação aos atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.

Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males

Atingidos pela barragem de Fundão estão revoltados com a antecipação repentina da data para a discussão sobre acordo que prevê, entre outros assuntos, a desapropriação dos imóveis de Bento Rodrigues, a possibilidade do esvaziamento do Dique S4 e a criação de um circuito turístico com o nome “Estrada Parque Caminhos da Mineração”. Anteriormente, marcada para a próxima sexta (13), a discussão do Termo de Ajuste de Conduta (TAC), proposto pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual foi antecipada para amanhã (12).  Assim, o prazo, que já era curto, passou a prejudicar ainda mais a participação da população atingida. A intenção dos Ministérios Públicos é que o TAC seja assinado ainda esse mês.

“Eu acho muito estranho, porque está sendo tudo na correria, com prazos para assinar sabe (…) não vejo essa mudança de data e a forma como está sendo proposto como uma coisa boa para a comunidade, porque esse TAC não foi construído em conjunto com nós atingidos”, destaca Mônica Santos, moradora de Bento Rodrigues e membro da Comissão de Atingidos pela Barragem de Fundão em Mariana (CABF). Os atingidos relatam que tiveram acesso à proposta de acordo há menos de 1 mês.

“Eu estou aqui me refazendo do impacto da notícia [mudança da data da reunião]. Eu não recebi com surpresa, isso para mim já era de se esperar, mas não deixa de ser com muita indignação!”, destaca Mauro Marcos da Silva, morador de Bento Rodrigues e membro da CABF. Segundo ele, as pessoas atingidas estão lidando com um poderio econômico muito grande e que, a base de “conchavos”, os interesses dos poderosos acabam prevalecendo. “Isso nada mais é do que configurar o que já vem sendo tramado nos bastidores dos grandes órgãos, tanto a nível estadual, quanto federal, de que eles [órgão públicos] sucumbiram aos interesses das empresas”, denuncia Mauro.

Um dos principais medos das pessoas atingidas é a perda definitiva de seu território com a desapropriação dos imóveis e tombamento das ruínas de Bento Rodrigues. “As coisas que têm no TAC eu, particularmente, tenho muito medo. Não tenho estrutura para digerir e aceitar o que está por vir”, desabafa Mônica Santos. Para Mauro, a forma como as determinações sobre a vida das pessoas atingidas são tomadas sempre foram meio ocultas, isso desde antes do rompimento da barragem. “A gente sabia que estava sob ameaça e a todo tempo a empresa Samarco vinha contemporizando a situação. Mas, após o rompimento, tivemos uma nítida impressão sobre o real interesse da Samarco, que sempre foi nas nossas terras. Agora, esse interesse vem se evidenciando cada dia mais”, destaca o atingido que acrescenta, “a gente vê que, quanto mais o tempo passa, a voracidade desses abutres em cima do nosso território se evidencia cada vez mais! Para nós, o território é uma garantia! Ainda não temos casa, ainda não fomos indenizados!”.

O Termo de Ajuste de Conduta ainda não foi assinado e trata-se de uma proposta de acordo entre MPF, MPMG, Governo de Minas, SEMAD, Prefeitura de Mariana e as empresas responsáveis pelo crime, Samarco, Vale e BHP Billiton.

A reunião para discussão do TAC com participação do MPF, MPMG, Governo de Minas,  SEMAD e Prefeitura de Mariana, acontece hoje, dia 12 de setembro, às 18h, no Coliseum, Rua Dom Viçoso, 230, Centro de Mariana.

Fonte: A Sirene

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