Atingidos por barragens defendem Eletrobrás pública

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Mais de 4 mil atingidos que participam do Encontro Nacional do MAB se somaram ao ato do Dia Nacional em Defesa das Empresas Públicas nesse 3 de outubro. Os atingidos marcharam desde o Sambódromo, onde estão alojados, até a sede da Eletrobrás, na Avenida Presidente Vargas. A estatal, que é a maior empresa do setor elétrico no país, está sob risco de privatização.

O ato foi convocado pela Frente Brasil popular e reuniu milhares de pessoas nas ruas do Rio de Janeiro. Os eletricitários também decretaram paralisação nacional no dia de hoje.

Gilberto Cervinski, da coordenação nacional do MAB, afirma que a participação dos atingidos nessa luta é imprescindível.

“O que está acontecendo é um processo de destruição da soberania. O Brasil está perdendo todas as riquezas do seu controle. A privatização só faz mal, podemos ver, por exemplo, o que aconteceu com a Vale, em Mariana. E é por isso que nós estamos nessa luta, contra as privatizações e em defesa do nosso patrimônio.” afirma.

Com mais de 4 milhões de consumidores, a Eletrobrás produz 30% da energia do país e é dona de 50% das linhas de transmissão do Brasil. Atualmente a Eletrobras é uma empresa de economia mista, e o governo detém 60% das ações ordinárias. A proposta de Temer é entregar estas ações, que dão ao governo majoritariedade na empresa.

Valor da venda X valor real

Temer anuciou que pretende vender a Eletrobras por R$ 20 bilhões. Além de ser uma entrega de um patrimônio público para empresas privadas, o preço de venda da estatal é irrisório. Somente de lucro líquido, a empresa gera por ano mais de R$ 60 bilhões. Para se ter uma idéia, somente 1 das 47 hidrelétricas que a Eletrobras possui, a usina de Belo Monte, tem um preço de custo de R$ 30 bilhões.

Além disso, hoje a Eletrobrás é dona de 16 empresas de energia em todo o país. Caso a estatal seja vendida, todos os trabalhadores dessas companhias também vão sofrer com a mudança. É o que afirma Fabíola Latino Antezana, da Federação Única dos Urbanitários (FNU).

“As experiências que a gente conhece de privatização do setor elétrico resultaram em um aumento dos acidentes de trabalho, na maioria dos casos fatais ou com mutilação. Então a gente com muito medo do que está por vir, porque eles vão querer o menor preço de produção possível e vão colocar toda a pressão em cima dos trabalhadores.”

Aumento da Tarifa

Com a privatização, a tarifa de energia também vai aumentar. Hoje, a Eletrobras vende a energia mais barata de todo o Brasil; R$ 60 por MWts. Isto porque a empresa aderiu ao Projeto de Lei 12.783/2013, que permitia a renovação das concessões das usinas hidrelétricas e definia uma redução na tarifa da energia. Ou seja, atualmente a estatal cobra pela energia uma tarifa de custo. Com a privatização, a especulação é que esse valor passe para R$ 200 o MWts, 3 vezes mais do que o valor atual.

“A consequencia das privatizações você pode ver é na conta de luz, água, gás, de combustível, na perda de trabalho e precarização, redução da qualidade do serviço público. O povo vai pagar a conta e o capital vai lucrar!” denuncia Gilberto Cervinski.

Patrimônio

Se a Eletrobras for entregue para empresas privadas, os brasileiros vão perder um patrimônio gigantesco. Hoje, a empresa possuí 47 hidrelétricas, 114 termelétricas, 2 usinas nucleares, 1 usina solar, 69 usinas eólicas e mais de 70 mil km de linhas de transmissão. Além disso, a Eletrobrás controla 50% da energia da Usina Binacional de Itaipu. Se privatizada, todo este patrimônio será tomado do povo brasileiro e entregue para empresários.

Foto: Joka Madruga
Fonte: Movimento dos Atingidos por Barragens

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