Bolsonaro, racismo nos EUA e Hitler

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Por Pedro Carrano | Foto: Marcos Correa

Uma postagem nesta semana de Bolsonaro é abertamente fascista, assim como muitas sinalizações do governo, intensificadas com o período de pandemia, indiferente ao drama de mais de 25 mil mortes no Brasil.

O post, no caso, é um vídeo de um senhor estadunidense, datado de 2008. Depois de tecer uma série de ideias meio incompreensíveis, ele chega ao ponto que interessa, saca uma espingarda no meio da palestra e diz que vai lutar por alguma liberdade. Sabemos de qual liberdade ele está falando e contra quem.

Um fascismo atualizado e mascarado de ideologia estadunidense.

O ativista e escritor Noam Chomsky já escreveu sobre como a repressão organizada pelos EUA na Guatemala, país da América Central, nos anos 70 e 80, contou com o acúmulo de técnicas aprendidas com os nazistas.

Já o pensador italiano Domenico Losurdo acerta em cheio quando mostra, no livro recente “Guerra e Revolução”, a influência mútua entre o Reich de Hitler e o imperialismo nascente estadunidense. Ambos contavam com aspecto do discurso de perseguição racial. Hitler buscava se livrar dos povos do Leste Europeu e expandir-se. Losurdo compara as ideias do Reich ao genocídio e expansão do império nascente em território indígena e da brutal escravidão do país americano, fundado em nome da “liberdade”. Os discursos e os propósitos se assemelham.

E, nesta semana, quando o mundo viu com pavor o assassinato de George Floyd, homem negro, em ação policial violenta e racista, abordado sem qualquer razão, imobilizado no chão e sufocado até a morte por um policial branco, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos, é mais um fato para mostrar que o racismo e a perseguição, na prática e no discurso ideológico, infelizmente seguem acontecendo.

O sociólogo Florestan Fernandes, no livro “O que é revolução” alertava para a questão de palavras e conceitos estarem em disputa entre as classes dominantes e as classes oprimidas. No caso, sabemos então de que liberdade está falando Bolsonaro, baseado na experiência estadunidense. A liberdade de expansão e morte em territórios demarcados, indígenas, quilombolas, de proteção ambiental, sob liderança do agronegócio. A liberdade de pressionar a vontade os outros poderes. A liberdade de avançar em um projeto neofascista no Brasil.

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