Câmara Municipal de Curitiba “se orgulha” do gasto com sessões blindadas

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Falta medicação sob a justificativa de que a Prefeitura está quebrada. Mas tem dinheiro para bancar o espetáculo do pacotaço

Em matéria publicada pela Câmara de Vereadores de Curitiba na internet, a mesa diretora do Legislativo Municipal demonstra um certo “orgulho” em apontar as despesas com a realização de duas sessões plenárias na Ópera de Arame para aprovar na marra e com a blindagem do aparato da Polícia Militar do Paraná (PM-PR) os 12 projetos do Pacotaço do prefeito Rafael Greca, que retirou direitos dos servidores municipais e da população de Curitiba.

Segundo a comunicação da Câmara Municipal, foram gastos mais de 100 mil reais em apenas dois dias de votação (R$ 101.217,00), com aluguel do espaço, serviços de fornecedores para montagem e desmontagem das estruturas contratadas com a finalidade de blindar os vereadores do acesso das pessoas ao local, cabeamento, equipamentos de transmissão, vans para deslocamento de funcionários da Casa e de assessores dos gabinetes, serviços de ambulância, entre outros.

A matéria institucional não dimensiona, porém, os custos com a escalação de aproximadamente 700 policiais militares, despesas com diárias e com o deslocamento deles dos municípios e bairros em que estão lotados para trabalhar. Toda a estrutura repressiva montada para assegurar a aprovação de medidas nocivas ao funcionalismo municipal e à população de Curitiba.

“Não é essa a distância e nem a blindagem que os vereadores impõem aos eleitores quando correm atrás dos votos e prometem representar os interesses da população”, comentou a diretora de comunicação do Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc), Soraya Zgoda. A dirigente do sindicato destaca ainda que esses valores oficiais, além de subavaliados, não estavam previstos no orçamento municipal, ao contrário da previsão de reajuste dos servidores em março (pela inflação) e dos valores referentes ao plano de carreiras dos municipais.

“Além de tentar criminalizar a mobilização legítima das categorias, a matéria reproduz apenas as justificativas dos vereadores que aprovaram o Pacotaço e que se propuseram ao espetáculo truculento, mentiroso e desnecessário que todos vimos vergonhosamente ser encenado na Ópera de Arame”, completou a diretora do Sismuc. “Falta medicação nos postos de saúde sob a justificativa de que a Prefeitura está quebrada. Mas tem dinheiro para bancar o espetáculo do pacotaço e o café da manhã do gabinete do Prefeito, entre outras coisas”, concluiu.

*** EM TEMPO |Greca fugiu do café organizado pelos servidores em frente ao prédio dele.
Não tinha potes de geleia, salada de frutas da estação, Carpaccio e nem foi servido à francesa!

Leia também >>> Municipais organizam café em frente ao prédio de Greca – que foge.

Por Thea Tavares
Foto: Joka Madruga

Sismuc

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