Com mobilização em rede, bandas do PR e de SC incrementam a cena underground

Colabore com o jornalismo independente, compartilhe.

Ao mesmo tempo em que as cenas underground do Paraná e de Santa Catarina já sejam há anos uma referência muito importante na produção de músicas autorais, no incentivo às bandas de garagem de diferentes estilos e de várias gerações e ainda um celeiro exportador de talentos, por vezes mais aplaudidos lá fora do que nas suas próprias cidades, essa marca forte da identidade cultural curitibana é também muito esquecida e pouco valorizada.

Mas esse conceito está com seus dias contatos. Em tempos de visibilidade pelas redes sociais e sempre inspirados na pegada punk dos valores “faça acontecer” e “faça você mesmo”, músicos de Curitiba, de outras regiões do Paraná e de Santa Catarina resolveram se unir para divulgar os trabalhos que existem e reforçar o incentivo às novas produções com uma fórmula muito simples, prática e ao alcance da boa (mas pode ser da má mesmo) vontade de todos: postar, curtir e compartilhar. Começou a Divulgação Underground Em Massa (D.U.E.M).

Tá ligado?
A ideia surgiu nas discussões de um grupo de WhatsApp. Para quem pensa que essa ferramenta só sirva para postar memes, piadas infames, fofocas de família, áudios, figurinhas e vídeos de autoajuda (Blééérhgh!) ou para nos acordar nas horas mais impróprias do dia e da noite, está enganado. Há vida útil e inteligente nessas interações por aplicativos de celular.

Foi de um desses grupos que nasceu a oportunidade de iniciar uma mobilização para impulsionar ainda mais as cenas underground desses dois estados. Começou há pouco mais de um mês, com a constatação de que individualmente todo esforço é maior, mais caro, mais desgastante e, na maioria dos casos, até frustrante. Porque, isoladamente, cada um consegue obter um alcance do tamanho das suas pernas, na medida dos seus próprios recursos. Os resultados tendem a ser pequenos, com as bandas fazendo seus rolês sozinhas, divulgando pouco e garantindo espaço de apresentação onde for possível.

Estourando a bolha
Ao criar um grupo no “Zap”, com representantes de cada uma das bandas underground conhecidas, se bolou a iniciativa da tal divulgação em massa. Como isso funciona? Os dez administradores do grupo montaram uma lista das bandas por ordem de chegada nesse espaço e organizaram uma verdadeira força-tarefa. Já somam 123 as bandas cadastradas na D.U.E.M., que está aberta para a participação de outras tantas.

A cada semana, posta-se em uma página do Facebook e em um site criado só para dar vazão a esses trabalhos, os vídeos, áudios, fotos, enfim, os materiais de divulgação de cerca de três a quatro bandas dessa lista. No grupo, a combinação é de curtir e compartilhar em suas redes, para suas comunidades e seus amigos os materiais dessas bandas.

O que antes ficava limitado ao universo de cada um, agora, com 123 bandas compartilhando massivamente, se consegue furar a bolha e fazer com que esses trabalhos cheguem para muito mais gente ver, conhecer e avaliar.

E tem mais!

Em pouquíssimo tempo essa mobilização já provou que consegue fazer a coisa toda evoluir para um outro patamar. A galera já trabalha para colocar no ar uma rádioweb que espelhe a D.U.E.M. e a cada mês é lançada uma coletânea nova.

A primeira Coletânea Underground Em Massa – Volume 1  – foi lançada no início do mês de junho. Com as 123 bandas, já se garante pelo menos um ano de coletâneas com essa marca e pegada.

Confira as faixas e bandas desse primeiro trabalho:

  1. Violent Curse (São Bento do Sul-SC);

  2. Renegados do Folk (Curitiba-PR);

  3. Repelentes (Curitiba-PR);

  4. Beer (Curitiba-PR);

  5. Broken Death (Almirante Tamandaré-PR);

  6. Só Vermes (Araucária-PR);

  7. Cadela Maldita (Curitiba-PR);

  8. Exylle (Curitiba-PR);

  9. Rádio Cadáver (Curitiba-PR);

  10. Desire Machine (São Bento do Sul-SC);

  11. AZT (Curitiba-PR/Guaratuba-PR).

Tem voluntariado nessa ação, claro que sim. Mas as regras são também bastante claras e específicas para não deixar dúvidas. As pessoas têm de participar e se comprometer a divulgar os trabalhos dos demais, para que o seu também apareça. Chavões como “a união faz a força” e “um por todos e todos por um” agora fazem total sentido.

Por Thea Tavares

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *