Consciência e ódio de classe de Denian Couto e Marc Sousa

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por Pedro Carrano

(Ontem o ódio contra os sem-terra, hoje contra os professores)

Eram os primeiros dias da Vigília Lula Livre. Vocês imaginam ou recordam da atmosfera política geral. A correria, a tensão, e a procura por informações por parte da imprensa.



Na condição de integrante da coordenação da vigília, com a tarefa da comunicação, ao lado de Neudicléia de Oliveira, ainda nas primeiras semanas, atendemos o pedido de um jovem repórter da RIC/ Jovem Pan, perguntando sobre a relação da vigília e os moradores da região.

Atendemos o profissional super bem, demos a nossa posição, como ele precisava para sua matéria. O cara agradeceu a atenção dada, para um material que deveria expor os dois lados do conflito.

No dia seguinte, o susto:

Amigos me enviando áudios do programa em que o jornalista ultra-reacionário, agora futuro vereador, Denian Couto (mais tarde, alvo de protesto de trabalhadoras jornalistas e acusado de assédio e ameaça contra mulheres), ao lado de Marc Souza, questionavam por que eu “estava me fazendo de líder sem-terra” e passaram a me atacar no programa.



A ignorância em relação ao fato de que a vigília não era conformada apenas por integrantes do MST, mas possuía outras organizações políticas e sociais, isso ainda foi algo irrelevante, já estamos acostumados a este olhar enviesado. Em última análise, de fato somos todos MST e apoiamos o movimento mesmo.

No entanto, o mais gritante foi quando Denian soltou o seu preconceito contra os trabalhadores, com total acordo de Marc:

“- Como ele pode ser dos sem-terra e falar corretamente?, com um português correto?”

Como podem eles prejulgar uma visão de que um sem-terra “não fala corretamente”?

Os verdadeiros ignorantes são os dois jornalistas.

Ignoram os camponeses muito mais graduados do que nós; os milhares de militantes formados, doutores e mestres; ignoram os camponeses que fazem parte do setor de formação do MST e têm profundo conhecimento de teoria política, mesmo sem graduação formal, mas dedicados ao estudo incentivado pelo movimento;

Ignoram os milhões de trabalhadores/as que não tiveram acesso à educação pública e condições de estudar, mas que possuem profundo conhecimento, sabedoria e experiência de vida.

Mas o que prevaleceu não foi a complexidade do povo brasileiro. Para os dois jornalistas, foi apenas uma turma do MST, que, na visão deles, devia ser ignorante.

Ignoram os sem-terra.

Porém, figuras como Marc ignoram também os professores, com o mesmo reducionismo que vimos na sua análise de hoje na RIC sobre a ocupação da Alep.

Para ele, tratam-se apenas de “sindicalistas a serviço de seus partidos”, e vemos mais uma vez recorrer ao rótulo, emitido do alto da torre de marfim do seu estúdio.

A mesma pergunta que gosta de fazer em meio a uma greve, vale para ele mesmo:

A sua análise está a serviço de quem?

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