Correios ameaçam trabalhadores com reforma trabalhista para forçá-los a aceitar reajuste ZERO

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Funcionários receberam mensagens no celular particular afirmando que a Empresa iria cortar todos os benefícios
Os trabalhadores dos Correios foram surpreendidos na noite de quinta (9), por volta das 21h,  ao receber mensagens da empresa com um vídeo de Carlos Fortner, presidente da ECT, apelando para que eles aceitassem a proposta da Empresa via TST, de 3,68% de reposição salarial, medida pelo INPC, ou seja, zero percentual de aumento real, mas com a condição de que não entrassem em greve. As ameaças, seguidas de apelo, foram enviadas no número particular dos trabalhadores via aplicativo de mensagens.

No dia seguinte, gerentes das unidades imprimiram e leram aos seus subordinados, um email da Empresa, no qual a ECT diz que o Acordo Coletivo da Categoria perdeu a validade no dia 1º de agosto – dia da data-base – e que, no caso de os trabalhadores não aceitarem a proposta rebaixada dos Correios, ao final do mês, receberiam somente o que diz a CLT, ou seja, salário e vale transporte. O email foi replicado para o celular dos funcionários, novamente.

Nesse caso, os trabalhadores perderiam o direito ao vale alimentação, auxílio creche entre outros benefícios, pagos para tentar compensar os baixos salários pagos aos ecetistas. Um carteiro ganha em média R$ 1.600 de salário base bruto.  O TST havia dado prazo até o dia 9 para os sindicatos se manifestarem e depois prorrogou até o dia 15, a pedido das duas federações que representam os trabalhadores.

A direção da estatal também quis obrigar os funcionários a responder uma sondagem na qual deveriam responder se concordavam com a proposta da empresa. A pesquisa foi feita pelos gestores e pedia identificação e assinatura do trabalhador, num formulário impresso.

Para o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Paraná (SINTCOM-PR), as mensagens têm o objetivo claro de coagir os trabalhadores, além de ferir a Lei, por prática antissindical (Art. 8º da CF e Convenção 98 da OIT), causando dano moral coletivo. “Se antes tínhamos o voto de cabresto, agora estão aplicando a proposta de cabresto, onde o trabalhador é coagido individualmente para aceitar as imposições da Empresa, mesmo que danosas. Os Correios pertencem ao povo brasileiro e aos seus trabalhadores e não a um grupo de políticos entreguistas do patrimônio nacional. É um retrocesso inaceitável em qualquer país que diz fazer parte de uma democracia”, afirmou o secretário geral do sindicato, Marcos Rogério Inocêncio (China).

Correios financiam seminário a favor da reforma trabalhista

ECT aparece como “patrocinador OURO” em site da empresa que realiza o evento

O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Paraná (SINTCOM-PR) protocolou na terça, 7 de agosto, um pedido de informações via Lei de Acesso à Informação (12.527/2011), assim que recebeu a denúncia de que os Correios estão financiando com “patrocínio Ouro” uma jornada de seminários pelo país na defesa e aplicação da reforma trabalhista. É o “Projeto Articulação Política Pelo Emprego – Jornadas Brasileiras de Relações do Trabalho”, realizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino e Cultura (IBEC) em parceria com a Câmara dos Deputados e a Secretaria Geral da Presidência da República.

Trata-se de seminários em diversas regiões do país, de 19 de junho a 28 de setembro, com programação fixa e participação de Ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST), incluindo o ex-presidente Ives Gandra Martins Filho, notório defensor das alterações que prejudicam os trabalhadores e favorecem as empresas.

A denúncia chegou à Câmara dos Deputados. A deputada Erika Kokay (PT-DF) afirmou que o deputado Ronaldo Nogueira, presidente da comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara Federal, será formalmente questionado sobre o apoio da comissão aos seminários a favor da Reforma Trabalhista. Kokay é membro da mesma comissão e explica que “a comissão é um colegiado e tem que se posicionar sobre as pautas. Ainda que o presidente negue os dados e ache que a reforma trabalhista modernize a relação, porque a verdade não há modernização, o que há é retrocesso”.  A deputada afirma que a posição pessoal do deputado “não pode ser considerada a posição da comissão”, afirmou Kokay.

Ela soube desse encaminhamento por parte de Nogueira após denúncia feita pela Federação das Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (FETEC-CUT-PR) de que bancos públicos estão patrocinando esses seminários. Com relação aos patrocínios vindo de empresas estatais, a deputada afirma que é ainda mais grave. “Mais grave porque estamos falando de patrocínio de empresas públicas que se negam a negociar respeitosamente com trabalhadores e tem o maior servilismo ou subalternidade de usar dinheiro que deveria ir para crédito social e produtivo, usando esse recurso para construir uma verdadeira enganação da classe trabalhadora”, disse.

*Trabalhadores dos Correios realizam assembleias no dia 14 para decidir se entram em greve*

No dia sete de agosto, data em que os trabalhadores dos Correios de todo o Brasil realizaram assembleias para deflagrar a greve a partir das 22h, o Tribunal Superior do Trabalho, a pedido da direção dos Correios, apresentou uma proposta para que a ECT pagasse a reposição da inflação, medida pelo INPC em 3,68% (de agosto/2017 a julho/2018). As cláusulas do Acordo Coletivo seriam mantidas, mas sem rever o Plano de Saúde, no qual continuam a valer as mesmas regras de cobrança de mensalidade e coparticipação, decididas em março, no julgamento do TST. As cobranças sobre o Plano de Saúde, para titulares e dependentes, já representam 70% de desconto nos salários de muitos trabalhadores, sendo que 16 mil vidas já abandonaram a Postal Saúde e, hoje, dependem exclusivamente do SUS.

Os trabalhadores dos Correios estão em Estado de Greve. Eles pedem 8% de reajuste nos salários e no vale alimentação, além de manutenção dos direitos históricos da categoria, como o auxílio creche e pagamento dos vales durante período de licença médica por acidente de trabalho, direitos que a ECT ameaçou cortar.

Em assembleias a serem realizadas em todo o Paraná e no Brasil, nessa terça, dia 14, eles votam se aceitam a proposta da Empresa ou se iniciam uma greve nacional, no mesmo dia, a partir das 22h. São 5.600 trabalhadores no Paraná e 106 mil em todo o Brasil.

Fonte: Sintcom-PR

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