Criadas a partir da ausência do Estado, campanhas de solidariedade de Curitiba sofrem sensível queda

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Diminuição na arrecadação ocorre em momento de aumento do número de casos da Covid-19 na capital paranaense

Por Lizely Borges | Foto: Giorgia Prates

As campanhas solidárias de arrecadação de alimentos, produtos de higiene e limpeza, dentre outros produtos, para atender às populações mais vulneráveis de Curitiba (PR) têm sofrido quedas significativas nas últimas semanas.

Prática alternativa à desassistência por parte do poder público no desenvolvimento de ações dirigidas aos grupos mais vulneráveis à pandemia e à falência do sistema político e econômico, como população em situação de rua e comunidades periféricas da capital, as campanhas vêm suprindo – com dificuldades – o provimento de alimentos e materiais a estes grupos.

“As arrecadações diminuíram visivelmente no último mês, sentimos isso tanto conosco quanto com organizações parceiras que têm feito trabalho semelhante”, aponta Leonildo Monteiro, membro da coordenação do Movimento Nacional da População em Situação de Rua e atuante em Curitiba, Leonildo Monteiro. Com fornecimento de 350 almoços, 350 jantas e 300 lanches e mais kits de higiene, o coletivo de organizações que, diante da ausência do Estado, tem atendido a população em situação de rua, estima que possui recursos em caixa para garantir o atendimento de somente mais 6 dias.

Ainda que a capital não reúna os graves índices da manifestação da pandemia e colapso do sistema público de saúde, como demais capitais brasileiras, os casos na cidade e região metropolitana crescem em ritmo acelerado. No período de surgimento das campanhas, no dia 04 de abril, por exemplo, a Secretaria Municipal de Saúde registrou 153 casos da Covid-19. Passados quase dois meses, a capital registrou 1.100 casos no último dia 29, o que responde por um aumento de mais de 700%.

Além disso, o aumento de mais de 145% no número de casos atribuídos a doenças respiratórias nas unidades de saúde, antes do período usual de maior ocorrência da gripe (inverno), acende o alerta para a provável subnotificação de casos de Covid-19 em Curitiba. 

O aumento dos casos da Covid-19 e de doenças respiratórias adquire um contorno mais preocupante ao considerar a desigual estrutura de saúde ofertada à comunidades periféricas, como aponta pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e a ausência de ações do poder público para abrandar os impactos sociais e econômicos da pandemia na população de baixa renda e em situação de rua, o que resultou em recente documento enviado aos órgãos públicos da capital por um conjunto de organizações para reivindicar o desenvolvimento de um Plano Emergencial de Assistência Social para Curitiba com ações dirigidas à população e aos territórios com baixos indicadores sociais. 

O ofício-denúncia encaminhado aos órgãos públicos destaca que a única medida assistencial desenvolvida pelo poder público para o contexto –  a distribuição de kits alimentares no valor de R$50 reais e disponíveis apenas para beneficiários do Bolsa-Família com filhos matriculados na rede municipal de ensino – se mostra insuficiente diante da intensificação das vulnerabilidades pela pandemia. Diante disso da ausência de med, são as campanhas que tem garantido, até o momento, o fornecimento de produtos essenciais para este população.

“Nesse cenário de omissão do Poder Público em tomar ações amplas e coordenadas, como um Plano Emergencial de Assistência Social, nos cabe, além de cobrar os entes públicos a cumprir seu papel, demonstrar nossa solidariedade apoiando as iniciativas que têm garantido a sobrevivência da população mais vulnerável num cenário de grave crise econômica e de risco à saúde. A fome não espera”, destaca a assessora jurídica da Terra de Direitos, Daisy Ribeiro em manifestação de apoio à continuidade das doações pela população.

Campanha para comunidades

Reunidos em torno da Campanha Resistindo com Solidariedade, a Terra de Direitos, o Instituto Democracia Popular, Casa da Resistência, Projeto Propulsão, Sindicato do Bancários de Curitiba e Coletivo Mobiliza tem buscado suprir os alimentos e produtos essenciais neste período. Os alimentos fundamentais da cesta básica, como arroz e feijão, são adquiridos de cooperativas de agricultores familiares vinculadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

A Campanha também viu a arrecadação diminuir sensivelmente nas últimas semanas. Enquanto no primeiro mês da Campanha o valor em caixa totalizava R$10 mil a cada nova semana, a última quinzena de maio não somou nem mesmo R$1.000, segundo levantamento feito pelo Instituto Democracia Popular. A forte queda tem impacto direto no fornecimento de alimentos, em especial, para cerca de 1300 famílias da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), destinação de 85% da renda obtida pela Campanha.

“A diminuição na arrecadação significa não ter comida na mesa. Esta é uma campanha permanente enquanto durar a recessão. A maior parte das pessoas das comunidades possui trabalho informal, vive de bico, são diaristas que foram dispensadas, são vendedores que saem cedo para vender e não conseguem vender seus produtos. Enquanto não conseguirem uma renda eles vão precisar de ajuda”, relata a coordenadora do Instituto Democracia Popular, Líbina da Silva Rocha.

Nem mesmo medidas governamentais já implementadas têm sido alcançadas pelo conjunto das pessoas. A partir das devolutivas de comunidades localizadas na CIC, o coletivo responsável pela Campanha constatou que aproximadamente 30% das famílias das Comunidades Dona Cida e 29 de Março, ambas localizadas na CIC, que solicitaram o auxílio, tiveram seus pedidos recusados por problemas burocráticos.

Informações para participar da Campanha Resistindo com Solidariedade

– Para quem quiser fazer uma doação, pode fazer uma transferência de qualquer valor para a conta do IDP na Caixa Econômica:

Banco: Caixa Econômica
Ag 0891 Op 003
Conta corrente 431-6
CNPJ 20.999.012/0001-89
Instituto Democracia Popular

– Doação de alimentos não perecíveis e produtos de limpeza:

Casa da Resistência (Rua Paula Gomes, 529 – bairro São Francisco), nas tardes de segunda, quarta e sexta.

Campanha de arrecadação população em situação de rua

– Alimentos não-perecíveis, água, produtos de higiene pessoal (sabonete, pasta de dente, escova, shampoo, álcool gel, etc), roupas e cobertores podem ser entregues diretamente na sede da organização Mãos Invisíveis, espaço também que concentra a organização das refeições a serem entregues. (Rua Padre Izaías de Andrade, 419. Curitiba).

– Ajuda financeira pode ser feita também em depósito:

Agência Bradesco 1304
Conta poupança 1001592-8
CPF 033.284.599-01
Em nome de Vanessa de Souza Lima Dalberto, coordenadora da organização Mãos Invisíveis.

Banco do Brasil Agência 0072-8
Conta Corrente 109546-3
CPF 815.480.952-49
Em nome de Tomás Henrique A. G. Melo, integrante da organização INRua

Caixa Econômica Agência 0373
Operação 013
Conta 21628-4
CPF 295.785.698-07
Em nome de Leonildo Monteiro, coordenador do MNPR-PR

*Os valores depositados serão revertidos para a compra de alimentos. 

Projeto Mesa Fraterna, que atende a população em situação de rua

Organizado pela Arquidiocese de Curitiba, Pastoral do Povo de Rua, com apoio da Paróquia Senhor Bom Jesus dos Perdões.

– Doação de alimentos: eles precisam de Água, suco, chá, café, leite em pó, achocolatado em caixinha individual, suco pequeno individual, biscoitos, wafers, doces e margarina para passar no pão. Somente estes alimentos.

– Doação de roupas: elas devem estar higienizadas. Preferência para as masculinas, pois os homens são maioria.

– Doação de materiais de higiene pessoal: creme dental, escova, sabonete, absorvente, pente e barbeador.

– Doação de outros materiais: álcool gel, luvas e máscaras.

– Doação de dinheiro para compra de frutas e outros gastos: dados para depósito:

Bradesco Agência 5760-6
Conta Corrente 19212-0
CNPJ 76.648.500/0001-04
Mitra da Arquidiocese de Curitiba. Fazer depósito identificado e enviar o comprovante para [email protected]

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