CRÔNICA | A greve de todas as mulheres

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8 de março de 2017. Elas pararam! Elas foram pras ruas, elas disseram: hoje nos uniremos mundialmente! Várias cidades de todos os cantos do mundo, em uma só voz uníssona! Nem uma a menos!

Estavam lá nossas mães, nossas avó, as filhas que teremos. Irmãs, companheiras . Estavam todas que já foram agredidas, que ganham menos fazendo exatamente o mesmo trabalho que os homens, que tiveram relacionamentos abusivos, que foram estupradas e brutalmente assassinadas, que foram assediadas por seus chefes, padrastos, pais, irmãos, que vivem na margem ou no centro. Estavam aquelas que ainda estão desabrochando e já tão solidárias. Estavam lá eu, você e todas as mulheres que no passado lutaram e abriram novos caminhos para que aqui estivéssemos hoje, caminhando juntas, firmes, de mãos dadas!

Um 8 de março efetivamente internacional. Um histórico e memorável ato mundial de união feminina. Sua importância ecoará demonstrando mais que nunca que o brado é urgente, que mulheres do mundo todo tem o mesmo sentimento e lutam pela mesma causa: apenas não sofrer mais opressões simplesmente por ser mulher, por querer respeito e equidade, que ainda nos são tão negados, ou até mesmo confundidos, pois erroneamente pensam que o objetivo é igualar homens e mulheres como indivíduos, quando na verdade o que se busca é a igualdade como sujeitos sociais. O Feminismo não se trata de odiar homens ou buscar ser superior a eles. Se trata de política, de conscientização, de mulheres como protagonistas da busca da representação, respeito e equidade como sujeito social nos espaços públicos e privados. Se trata da luta para sair da opressão histórica, patriarcalmente construída e estruturalmente mantida.

As ruas do centro de Curitiba também estavam sintonizadas e unidas com as outras, era o centro de Curitiba, do ventre, do mundo, eram todas! As ruas estavam floridas, cantantes, gritos de indignação, pedidos, a força e a garra do feminino pulsante, belas recatadas e prontas para lutar, assim somos todas, nos vejam, nos ouçam!

Foram diversos atos durante todo o dia, em vários espaços públicos, culminando com um grande ato pelas ruas, onde juntaram-se não só mulheres, mas também homens, mãos dadas, filhas nos colos, unidos com elas, num bordado bonito, colorido e diverso na luta!
Neste dia, Curitiba foi delas e para elas, todas conectadas, Nem uma a menos!

Por Melissa Andrade
Foto: Leandro Taques

Terra Sem Males

Melissa Andrade é advogada e militante feminista. Formada na turma de 2016 das Promotoras Legais Populares de Curitiba e região.

 

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