CRÔNICAS CURITIBANAS: UM DIA DETESTÁVEL

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Muitos fatores podem contribuir para um dia detestável. O clima é um deles. Talvez o principal. Como o dia de hoje, pós feriado, em que o céu ganhou contornos gris, as nuvens lavaram a atmosfera e os colos ganharam echarpes. As palavras poéticas, no entanto, não amenizam o quanto esse tempinho fechado é desagradável. Basta por o pé para o lado de fora, antes da esquina, e se você não estiver de galochas, as meias já ficam todas molhadas. As calças e o vestuário de cima também. Um horror. Uma lástima que cresce em desprezo quando temos que nos equilibrar para andar segurando o guarda-chuva (ou GPS de poça) numa mão e o celular na outra. Que tristeza.

Mas esse dia detestável pode ser contornado com algumas medidas. Não vamos tratar aqui de carros, de táxi, de desmarcar compromissos, porque são benefícios da burguesia. Eu miro no povo. Naquele que se apequena no ponto de ônibus, que trabalha a pé, de bicicleta e afins. Para nós, nada melhor do que arrancar a roupa e tomar um bom banho. Assim, se desfaz o dia intolerante.

E é certo que um dia de chuva, para muitos, não é tão detestável. Vide a galera “deboas”, que pode até enxergar um benefício no aguaceiro. Chuva enche represa de água que está baixa. É um argumento bom, embora prefira que seja utilizado apenas no pé da serra.

Mas eu até concordo com a turma do ‘veja bem’. De certo que quem gosta apenas de verão, só admira um quarto do ano. Os demais ciclos são detestáveis. E convenhamos, sol demais também é detestável. O clima fica seco, a gente soa demais, dá pigarro, a represa seca, a conta de luz sobe por causa do ar condicionado. Logo, uma chuvinha, para variar, cai bem.

E dias ensolarados também podem ser detestáveis pelos arranjos da vida. Conto três causos curtos. Ontem, quarta, também foi um dia detestável. Nem pelo clima, mas pelo clima. Explico-me. Na Câmara dos Deputados, os nobres, rejeitaram emenda dos senadores que acabava com o financiamento privado de campanha e optaram por manter e ampliar um modelo que reconhecidamente estimula a corrupção. Ou seja, durou somente um feriado o bloqueador de malandragens da sociedade. Que detestável. Tão repugnante quanto a imagem do menino sírio morto numa praia da Turquia. Faz uma semana, se não me engano. Aquela imagem, mais do que um dia nublado serviu para tornar tudo desagradável. Não só o dia, mas toda a semana. Por fim, quem, voltando de férias, após ter seu filho nascido poderia ter um dia desagradável? Justamente o pai que foi recebido com a carta de demissão no principal jornal impresso do Paraná. É muito detestável.

Em tempo: Não é o dia, mais 2015 que está sendo detestável.

Por Manolo Ramires
Crônicas Curitibanas
Terra Sem Males

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