Curso NPC | Debate situa a internet como controladora do campo de visão

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Mesa de abertura do 25º Curso Anual do NPC discute aspectos técnicos e políticos do uso da internet para a comunicação

Por Paula Zarth Padilha | Fotos: Joka Madruga/NPC

O entendimento da internet como plataforma política que gera lucro com a comercialização dos dados de toda a população e também a necessidade da apropriação dessa ferramenta para a disputa da comunicação foram aspectos abordados na mesa de abertura do 25º Curso Anual do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), realizado no Rio de Janeiro de 19 a 24 de novembro. A abertura cultural foi realizada ainda na terça, na praça da Cinelândia, durante o III Festival da Comunicação Popular e Sindical.

 Foto: Joka Madruga/NPC

O professor da UFABC Sergio Amadeu apresentou a internet no papel político que ela ocupa enquanto ferramenta tecnológica, que no capitalismo tem como foco a coleta sistemática e intensa de venda e uso de dados, os algoritmos. Sergio também situou a nuvem onde são armazenados esses dados. No caso do Brasil, os imensos servidores que armazenam as reações e interações nas redes sociais da população são galpões localizados nos Estados Unidos e na China. “O mundo atual não faz só coisas que a gente precisa, faz e coleta dados”, explicou, falando da chamada internet das coisas, do uso de drones, da força econômica dessas plataformas, comparando o lucro com o PIB de alguns países. Para ele, os dados são o petróleo do século XXI. “Quanto mais você se comunica na internet, mais rastro digital você cria”, o que tem alto valor (financeiro).

 Foto: Joka Madruga/NPC

O analista de dados Lucio Oberdan apresentou estratégias utilizadas pela ultradireita para viralizar (des)informação pela internet e orientou de maneira sistematizada formas que podem ser utilizadas por dirigentes sindicais para ocupar esse espaço da internet dominadas “pelo outro lado”. Oberdan explicou que a internet abre brechas para consumir conteúdos, passíveis de viralização, que não teriam eco se fossem consumidos em outros espaços coletivos, como a TV aberta ou a distribuição de panfletos.

Ele também afirmou que a forma como a rede dissemina conteúdo gera condições para impunidade. “O direito de resposta deixou de existir, pois é ferramenta hospedada em outro país, submetida a outra legislação”. Para Oberdan, não existe saída fácil, mas é possível executar uma metodologia no ambiente das redes sociais para atingir o público-alvo: construir relacionamentos, divulgar a marca de forma constante, perguntar mais do que enviar conteúdo excessivo, formar uma rede, distribuir conteúdo todo dia, com equipe qualificada e profissionalizada, crescer com engajamento.

 Foto: Joka Madruga/NPC

A jornalista Marianna Araújo apresentou as experiências e o protagonismo do site The Intercept Brasil a partir das publicações da chamada Vaza Jato, compartilhada com outras grandes redações jornalísticas, com a formação inédita de um consórcio de jornalistas acessando os arquivos. “A gente está disputando consenso e muda a relação de forças quando chega nesses veículos”, afirmou. Marianna também relatou como o site trabalha as reportagens investigativas e o uso das redes sociais, em que o Intercept tem tido maior crescimento no instagram e no youtube. Marianna destacou que o site aposta na linguagem para ocupar os espaços da internet.

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