Diário da pandemia: Complexo do Alemão toma medidas contundentes

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Por Tatiana Lima / Teia da Comunicação Popular

Foto: Bruno Itan/Fotos Publicas

“O governo já decidiu que prefere que a gente morra. Se a gente que mora nas favelas e periferias do Brasil, não se organizar pra DIMINUIR O IMPACTO, já era. É tragédia anunciada, sem exagero”. O desabafo é de Rene Silva, fundador do jornal Voz das Comunidades, no Twitter.

Mediante a este cenário, a ONG Voz das Comunidades, do Complexo do Alemão, criou uma campanha para ajudar as famílias mais pobres do conjunto de favelas a enfrentar o Covid-19, com um novo pedido: que as doações sejam feitas através de transferências, priorizando depósito bancário e a plataforma PicPay, para evitar que mais pessoas se ponham em risco nas ruas. Todo o valor arrecadado será destinado para a compra de água, álcool em gel e sabonete. A necessidade é urgente, pois em algumas favelas o abastecimento de água não é feito com frequência, fazendo com que algumas casas fiquem até 15 dias de torneiras secas.

– Nessa época do ano vocês costumam ver eu pedindo doações para as campanhas de Páscoa aqui na favela, né?! Mas esse ano vai ser um pouco diferente. Estamos precisando de doações de itens básicos, mas precisamos evitar contato pessoal. Então arrumamos um jeito de vocês doarem, ressaltou Rene Silva, no Twitter .

O Jornal Voz das Comunidades é um jornal comunitária que foi fundado por Rene Silva, morador do Morro do Adeus, em 2005. Nasceu para mostrar “tudo o que acontecia na sua comunidade”. O jornal cresceu e se expandiu com a visibilidade da pacificação de favelas do Complexo do Alemão em 2010.

De lá pra cá, tornou-se um dos maiores portais de jornalismo comunitário do Rio de Janeiro, tendo parceiros em dez favelas: Cidade de Deus, Rocinha, Complexo da Penha, Complexo da Maré, Pavão Pavãozinho, Cantagalo, Santa Marta, Vila Vintém e Vila Kennedy. Atualmente, seu principal canal de veiculação de reportagens é o portal de notícias Voz das Comunidades.

No total, tem uma equipe de 30 pessoas, sendo 15 colunistas e 15 integrantes na redação e jornalismo, além de uma equipe de produção e de voluntários que atuam em ações sociais do jornal.

Diante da Pandemia de coronavírus, o jornal vem atuando na linha de frente dentro da comunidade para combater a proliferação do vírus, além da produção de informação e reportagens #Covid19NasFavelas. Também começou uma campanha de arrecadação de doações para auxiliar as famílias mais pobres do Complexo do Alemão. Esta atuação é feita por diferentes coletivos de favelas para tentar enfrentar a chegada da pandemia nas periferias do Rio de Janeiro.

Rene Silva, também usou o Twitter para expor a pressão psicológica dos voluntários e da equipe que vem atuando e mobilizando o enfrentamento do Covid-19 nas favelas. “A gente não morre só de coronavirus, a gente morre de fome, de sede, de depressão, de várias outras formas, antes mesmo do vírus nos atingir”. Ele pede apoio de psicólogos para atuar junto a equipe de voluntários nas favelas. “Nosso psicológico tá muito ruim. As últimas três noites de sono foi somente sobre isso. Tô mal, desculpa o desabafo”, postou na última segunda-feira (23/3), no Twitter.

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