Diário da pandemia na periferia: Formiga trabalha para enfrentar os tempos de crise

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Por Ana Lúcia Vaz / Teia da Comunicação Popular

No morro da Formiga, no Rio de Janeiro, o movimento não parou, mas reduziu muito. Uma parte da população foi liberada do trabalho e está em casa, aproveitando para fazer aquelas tarefas domésticas que ficam sempre adiadas por falta de tempo. Mas muita gente não foi liberada. São entregadores de jornal, trabalhadores em setores estratégicos, mas também domésticas que não forma dispensadas pelos patrões e trabalhadores informais que não têm como sobreviver se não trabalhar. “A gente sabe como são as relações trabalhistas: a galera que é o elo fraco da corrente é a que fica mais vulneráveis. São tratadas como peças da engrenagem que, se ficarem inutilizadas, vão ser substituídas”, lamenta André Leonardo.

Dentro da favela, a maior parte do pequeno comércio também continua funcionando, bem como parte do transporte público. A favela é íngreme, por isso, como explica André, “pessoas com mais idade e que não gozam de boa saúde ficariam impossibilitadas de subir até suas casas” se não houvesse transporte. Alguns meninos ainda jogam futebol no campo de terra batida. Os bares e ruas estão esvaziados, festas e bailes suspenso. A igreja católica está fechada. As pentecostais, até onde ele tem informação, também não estão fazendo culto.

Quanto ao Estado, nenhuma ajuda. “Nada de novo, né? Nós sempre estivemos existindo por conta própria na luta pela vida. Sempre contando uns com os outros, com uma ou outra ajuda de moradores de fora do morro”, avalia.

André coordena o grupo de Folia de Reis “Estrela de Belém”, que todo ano circula pelo morro da Formiga e outras favelas, entre dezembro e janeiro. As parcerias criadas através do trabalho da Folia são as principais com que conta neste momento. “A gente está se articulando para recolher doações de coisas mais essenciais para as famílias em condições mais precárias”. Entre os parceiros potenciais estão o posto de saúde e a escola municipal, que funcionam dentro da favela, e o Sindscope (Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II) que já apoia a Folia. 

Por fim, ainda está em fase de articulação o projeto de fazer um trabalho de conscientização e esclarecimento sobre a pandemia semelhante ao que está sendo feito em outras favelas, como a Maré, com cartazes, faixas e carro de som. Contam, para isso, com “um canal bacana de diálogo entre favelas”, conclui André.

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