Diário da pandemia na periferia

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Por Amanda Soares sob supervisão de Cláudia Santiago

A pandemia de Covid 19, o novo Corona vírus, mexeu com o dia a dia de todo o mundo. Por conta das orientações do Ministério da Saúde, Estados fecharam as fronteiras, viagens de longa distância foram proibidas, e as atividades presenciais no NPC também foram alteradas. Pedimos aos nossos ex alunos do curso de Comunicação Comunitária de outros anos para compartilhar como tem sido o dia a dia de suas comunidades com essa nova realidade.

Para a primeira entrevista, conversamos com Bruno Lima, morador do morro São José Operário, no bairro Praça Seca, Zona Oeste do Rio, que até outro dia tinha outro problema: falta d’água.

Bruno tem 36 anos mora com os pais e o irmão no morro São José Operário. É um bairro dormitório, onde as pessoas geralmente saem de manhã pra trabalhar e a noite voltam pra dormir, conhecido pela violência e disputa de território. A praça do bairro está em obra. Não tem biblioteca, cinema, centros culturais… A opção é a praia, mas todas foram interditadas devido a pandemia de Covid 19, o novo Corona Vírus.

Lá, a coleta de lixo e a clínica da família estão funcionando normalmente. Mas até a última sexta feira (20) a parte alta do morro estava sem água. Fora 20 dias sem o serviço, tão crucial neste momento em que se reforça a importância de lavar mãos e superfícies. “A galera tem que realmente se proteger, por que a gente sabe o sistema de saúde que a gente tem. Diz-se que é um dos mais desenvolvidos do mundo, mas a gente sabe que não tem condições de atender isso que está vindo aí.” 

Embora fique em casa, Bruno recebe fotos de amigos que vão a rua, como esta, da feira da Praça Seca acontecendo normalmente na última semana.

Bruno diz que na Praça Seca, boa parte do comércio já fechou, mas muitos corajosos continuam frequentando as ruas normalmente: Os idosos estão na rua. Feira funcionando,não está tão cheia,mas tem aglomeração. Tem as pessoas que acham que não vão ser atingidas, e não tem medo. Na casa dele é o oposto. Só o caçula sai, para fazer compras essenciais. Quando volta, tem um aviso na porta: “Tire os sapatos. Tire a roupa e ponha para lavar. Lave bem as mãos”. Outro problema são as mensagens falsas, que correram São José Operário e causaram um certo pânico.

“Enviaram mensagens falsas sobre dois casos no condomínio aqui perto, em páginas de bairro, no facebook. Depois, o síndico do condomínio lançou uma nota desmentindo o caso”. Inspirados pela ação de conscientização na Maré, Bruno e a mãe tentam fazer correntes de informação de fontes confiáveis que se espalhe pelos vizinhos. Para isso, montaram um grupo com 30 jovens da comunidade. A ideia é que cada um compartilhe os textos com mais quinze pessoas, e assim por diante, espalhando informação confiável e desmentido qualquer boato maldoso.

Fonte: Núcleo Piratininga de Comunicação

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