Dicas para fazer turismo no Rio de Janeiro com verba curta e criança pequena

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Nessas férias** encontrei uma boa oportunidade de retomar a pauta “Bebê Crescendo”* na minha vida

Por Paula Zarth Padilha
Foto: Joka Madruga
Terra Sem Males

Encerramos 2016 com uma meta ousada: fazer uma viagem programada de férias, incluindo aí o turismo de lazer, num cenário possível para o trabalhador assalariado e com uma conjuntura pós golpe (e de crise braba). A parte do “tudo sob controle” financeiramente a gente deixa pra lá, pois deu pra fazer muita coisa legal no Rio de Janeiro (capital), partindo de Curitiba. Fomos eu e Joka e minha filha Carolina, 4 anos.

HOSPEDAGEM

Ficamos num hotel no centro da cidade, ficava a algumas quadras do metrô, numa região residencial, entre os morros da Providência e da Conceição, muito próximo ao que hoje denominam como “Porto Maravilha”, a orla portuária do Rio de Janeiro transformada em estacionamento de navios de cruzeiros marítimos internacionais, cercada de museus na Praça Mauá e próxima, também, do AquaRio.

Reservei por um site na internet uns cinco meses antes, bem na sorte/azar mesmo. O azar foi que descontaram o valor total de uma vez só, sem parcelar no cartão de crédito. A sorte é que isso aconteceu bem antes da viagem.

Com o hotel localizado na rua Camerindo, descobrimos com as andanças entre uma atração e outra, o sítio arqueológico chamado Cais do Valongo, trajeto dos escravos que chegavam ao Rio de Janeiro. Ele estava escondido abaixo do Cais da Imperatriz, de onde foram retiradas quatro estátuas que agora estão em cima do imenso muro dos Jardins Suspensos do Valongo, também ao lado do hotel. O local está fechado para visitação, mas basta atravessar a rua e parar na Praça dos Estivadores para contemplar.

TRANSPORTE NA CIDADE

Utilizamos quase todos os meios de transporte coletivos e/ou populares do Rio de Janeiro (trem, metrô, ônibus de linha, VLT, barco, balsa, catamarã, taxi, uber, charrete, bicicleta). Utilizamos créditos do cartão único, aceito em todos os meios coletivos, que podia ser facilmente recarregado nas estações de embarque. Cada adulto deve ter seu próprio cartão, não é possível dividir apenas um. Também andamos bastante. Em oito dias, gastamos aproximadamente R$ 500 com deslocamentos.

VIAJANDO COM CRIANÇA NA ALTA TEMPORADA

Desembarcamos 28 de dezembro e o retorno estava marcado para 05 de janeiro. Como seria alta temporada e com previsão de muita fila em tudo, o primeiro pensamento é “programei errado”, considerando a filha a tiracolo e os 40 graus ininterruptos durante os dias e os 30 graus ininterruptos nas noites.

Nós não fizemos passeios noturnos, a última parada sempre incluía o jantar, pois Carolina tradicionalmente dormia no caminho de retorno ao hotel. Sempre saímos do hotel com ao menos duas garrafinhas de água para a primeira meia hora e lanchinhos rápidos na bolsa, além claro de uma muda de roupa adicional para Carolina e trajes de banho.

A gente acordava cedo o suficiente para pegar o café da manhã, servido tradicionalmente até 10h, mas não nos preocupávamos com hora específica de almoço ou jantar. As refeições vinham conforme fome e disponibilidade, mas o cuidado com a hidratação era frequente, seja com água ou com sorvetes e picolés (o valor da garrafinha de água mineral variava de R$ 2 a R$ 5 e os sorvetes também).

Os moradores do Rio de Janeiro são sempre muito simpáticos e solícitos para facilitar a vida de quem anda por lá com crianças. Mesmo Carolina já ter extrapolado a idade preferencial (2 anos), sempre fomos beneficiadas com a regra: cada vez que entrávamos no metrô ou no VLT, alguém levantava para ceder lugar.

Com alimentação, gastamos aproximadamente R$ 2 mil, divididos entre vale-refeição, dinheiro e cartão de débito. A cada refeição de almoço ou jantar, a média de gasto era de R$ 50 por adulto.

COMO CHEGAR E QUAL O VALOR:

CORCOVADO (dia 1)
(R$ 162,00 para os dois adultos)

Optamos pelo check-in no hotel ser seguido da visita ao Corcovado: o morro do Cristo, cartão postal do Rio de Janeiro. Andamos até a estação do metrô (Presidente Vargas), desembarcamos no Largo do Machado. Compramos os ingressos para o Trem do Corcovado no quiosque oficial do RioTur, com hora marcada (R$ 162,00 para os dois adultos. A informação no site estava incorreta, pois os valores eram referentes à baixa temporada, uma diferença de R$ 40 aproximadamente).

Para chegar ao trem, tem algumas quadras de distância, é possível fazer o trajeto a pé ou com ônibus de linha. Tivemos que recorrer ao táxi pois Carolina adormeceu no meu colo durante o almoço, já que nosso voo foi às 6h da manhã e ela madrugou para voar pela primeira vez.

Também é possível subir o morro em vans de turismo, sem recorrer ao trem. O embarque é no Largo do Machado mesmo. As vans facilitam no retorno, pois como você tem horário para subir, mas fica livre para passear e descer quando quiser, é preciso encarar uma fila considerável.

Acesse aqui as fotos do Corcovado.

MUSEU DE ARTE DO RIO (dia 2)
(Combo: R$ 64 tudo, para duas pessoas).

No segundo dia de viagem tivemos mudança de planos pela primeira vez. Fizemos a pé o trajeto até o famoso aquário do Rio de Janeiro (AquaRio). Chegando lá, com o sol ardendo, demos de cara com filas imensas e um funcionário no megafone dizendo que os ingressos haviam se esgotado, mas era possível comprar para outro dia.

Compramos as entradas para retornar ao AquaRio no dia 31 de dezembro, também com hora marcada (R$ 200 no total, sendo R$ 80 por adulto e R$ 40 o da Carol. Esse foi o único lugar que visitamos que ela teve que pagar para entrar ou transitar).

Seguimos em frente via VLT, que tinha um ponto próximo e o Museu do Amanhã somente duas estações à frente. O VLT parece ser utilizado mais por turistas do que por trabalhadores. Mesmo fazendo o circuito passando por bairros centrais, da rodoviária até o aeroporto Santos Dumont, via Av Rio Branco, não é possível utilizar a mesma passagem nas conexões com o metrô, é preciso desembarcar e reembarcar.

Chegando no Museu do Amanhã (que não tínhamos ingressos), mais uma fila quilométrica. Um funcionário indicou que era possível comprar um combo no Museu de Arte do Rio (MAR), do outro lado da Praça Mauá, garantindo acesso aos dois museus (R$ 64 tudo, para duas pessoas).

Fomos até o MAR, uma grata surpresa, um belo museu, com um acervo incrível. Valeu muito a pena e Carolina interagiu muito com as exposições.  O almoço foi dentro do MAR mesmo. Lá tem dois restaurantes, a gente almoçou no que era uma cafeteria.

A intenção era ir em seguida no Museu do Amanhã mas ainda não havia coragem para encarar a fila. O combo dava direito a utilizar o segundo ingresso num prazo de sete dias e a gente tinha esse tempo. A única coisa que nos passou pela cabeça após o almoço tardio foi “vamos para praia”.

Acesse aqui as fotos

ANOITECER EM COPACABANA

 Seguimos para Copacabana, primeiro de VLT até a estação Carioca, descemos e reembarcamos na estação de mesmo nome de metrô. Descemos na Siqueira Campos e andamos, andamos e andamos até encontrar a praia umas seis ou sete quadras em frente.

Logo encontramos diversas barracas para aluguel de guarda sol e cadeira. Eu sempre andava com as roupas de praia, protetor solar, bonés e uma canga a tiracolo, então locamos um guarda-sol e uma cadeira (R$ 15 e R$ 7). O moço do quiosque vai instalar onde você quer (no caso, onde se encontra um lugar ao sol na praia lotada) e depois vai retirar. É possível pagar com débito, tem wifi e cerveja gelada na mesma barraquinha. Aproveitamos o mar e o sol até anoitecer. Jantamos num quiosque na calçada, um pouco mais sofisticado, mas com preço menor que em muitos outros restaurantes que comemos nessa viagem.

Carolina é acostumada a comer a tarde toda e não se alimenta muito bem no café da manhã e no almoço, mas no Rio ela aproveitava bem as refeições. Se esbaldou com macarrão, camarão, peixe, suas principais pedidas (além dos picolés e das águas que eram da rotina dos passeios). Voltamos para o centro do Rio de Uber, pois já era noite e Carolina dormiria no caminho depois de um dia bem aproveitado (sim, às vezes dormia na salmoura e o banho era só na manhã do dia seguinte).

ILHA DE PAQUETÁ (dia 3)

A intenção era passar o dia em Paquetá mas levamos uma invertida do motorista de Uber que teria que nos levar até a Praça XV, local de embarque nas balsas e barcos rumo a Niterói e Paquetá. A Praça XV fica um pouco além da Praça Mauá, perto de onde a gente estava, mas com as obras do VLT, a Av Rio Branco está em grande parte sem passagem para carros. O motorista deu muitas voltas, chegamos a passar pelo aterro do flamengo e por um túnel novo de 6 quilômetros, mas nada de chegar ao destino. De um gasto inicial previsto pelo sistema do Uber de dez reais, a corrida cobrada foi quase R$ 40. E perdemos a barca da manhã. O jeito foi almoçar na grande rodoviária de barcos de transporte coletivo e aguardar o horário. O valor do trajeto é popular, menos de R$ 6 por pessoa.

Os 70 km são percorridos em aproximadamente duas horas. Já em Paquetá, muitos trabalhadores locais aguardam os turistas com opções de passeio. Tem charrete elétrica, bicicleta “com piloto”, bicicleta para locar. Em Paquetá não transitam carros, somente veículos de infraestrutura pública. Optamos pelo passeio de charrete para dar um giro na ilha. Pagamos R$ 100. Decidimos ficar na Praia da Moreninha, última parada do passeio de charrete.

Lá não encontramos cadeiras e guarda sol para locar, aproveitamos a sombra das árvores. O tempo virou e saímos do mar enquanto o temporal se armava. Caminhamos até encontrar abrigo num hotel. A chuva começou quando já estávamos lá. E de lá pegamos a mesma charrete para retornar ao ponto de embarque para voltar ao Rio (R$ 5 por pessoa o transporte). Paramos para jantar num lugar ótimo e com música ao vivo. A chuva tinha parado e restava a maravilhosa vista. Paquetá vale muito a pena. O retorno foi de catamarã, o acesso foi com os créditos do bilhete único. De volta à Praça XV, voltamos para o hotel de táxi.

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AQUARIO E CINELÂNDIA (dia 4)
(R$ 200, dois adultos e uma criança, que paga meia)

Era 31 de dezembro e, como a virada seria nas areias de Copacabana (via ingresso antecipado para o embarque no metrô), a programação do dia já tinha sido definida: visita ao Aquário na região portuária e almoço na Cinelândia.

Fomos a pé até o AquaRio (R$ 200 as entradas, conforme já citado). É um passeio superbacana, mas sou suspeita porque gosto de visitar aquários. Saímos de lá e seguimos de VLT até a Cinelândia para almoçar num restaurante que a gente já conhecia. Passamos a tarde no hotel para dar conta da aventura do ano novo nas areias de Copacabana.

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REVEILLON EM COPACABANA

O acesso ao metrô para o réveillon deve ser comprado antecipadamente, com horário definido para embarque e em estações específicas. O valor também é um pouco mais alto e só aceita pagamento em dinheiro. Com as passagens em mãos, embarcamos na Presidente Faria e descemos na Arco Verde. Mais uma andança até a praia e ficamos num espaço bom, sem muito fervo, sem muita gente se aglomerando (sim). Locamos uma cadeira para aguardar meia noite (R$ 50). Fui com Carolina até o mar, ela festou um pouco com as ondas, mas logo ela ficou com sono e dormiu. Coloquei deitada na minha canga na areia e, na virada do ano, ela passou os doze minutos de fogos sem se mexer. Passar o ano novo naquelas areias de uma praia ocupada gratuitamente por quem queria simplesmente estar lá e ninguém tinha nada a ver com isso foi a melhor sensação. A pior parte foi voltar. Tinha bastante gente, mas ok. O problema foi carregar 14 quilos estabacados de sono nos braços naquelas quadras que nem contei quantas até chegar na estação do metrô. Eu e Joka fomos revezando com ela no colo, mas confesso que foi bem difícil.

DOMINGO, PRIMEIRO DE JANEIRO (dia 5)
(Jardim Botânico, Zoológico, Lagoa Rodrigo de Freitas, Praia de Ipanema)

Não sei se é porque era domingo, não sei se era por ser dia da Confraternização Universal, mas nada que exigia bilheteria estava aberto naquela cidade. Atravessamos Rio de Janeiro de taxi para chegar no zoológico. Fechado. Seguimos na esperança de conhecer Jardim Botânico. Fechado. Por sorte ali do lado estava a Lagoa Rodrigo de Freitas. Belíssima e aberta à visitação por todos os lados. Foi ali mesmo que aproveitamos o dia. Carolina brincou num parquinho muito legal (aliás, em todo lugar tem parquinho infantil muito legal no Rio). Tomamos uma água de coco com valor acessível (duas de coco mais duas minerais por R$ 15) e andamos muito tentando achar lugar para comer e para alugar bicicletas. Demos uma volta numa bicicleta para três (R$ 25 meia hora) e encontramos o local da lagoa onde se concentram restaurantes e bicicletas. Também ali, muitos outros parquinhos infantis. De lá, seguimos de taxi para a praia de Ipanema. Desta vez eu estava desprevenida. Pois entramos de roupa e tudo no mar e mais uma vez anoitecemos na orla. Como extrapolamos no transporte, para retornar encaramos o metrô, direto de General Osório. E foi tudo bem.

PÃO DE AÇUCAR, URCA (dia 6)
(R$ 152 ida e volta para dois adultos).

Na segunda-feira também não é fácil encontrar lugares abertos no Rio. Tentamos o Museu do Amanhã mas ele estava fechado. Decidimos ir ao Pão de Açúcar, desta vez ligando antes para confirmar o funcionamento e utilizando metrô e ônibus para chegar lá. Almoçamos em Botafogo, entre o metrô e o ônibus, e encontramos o bondinho aos pés da praia vermelha. Parecia que todos os turistas do Rio de Janeiro estavam lá. Mas era longe, não tinha o que fazer além de encarar. Fila imensa lá fora, fila imensa lá dentro, ficamos umas duas horas até pisar no teleférico. E Carolina estava na vibe, aceitou tudo numa boa, tão empolgada que estava em andar de “mundinho”. Quando chegou nossa vez, correu para a parte da frente e teve vista privilegiada. Chegou no morro da Urca e queria logo andar de mundinho de novo, rumo ao Pão de Açúcar. Anoitecemos naquele lugar. É muito bonito. Fizemos o trajeto inverso, ônibus e metrô.

ANGRA DOS REIS (dia 7)
(R$ 320 para dois adultos, incluindo transporte rodoviário e barco)

Esse passeio não estava no cronograma. Fomos na onda do anúncio disponibilizado no hotel. Valeu muito a pena por conhecermos um paraíso de águas de cores lindas, por mergulharmos de um barco, por ser tudo tão diferente.

MUSEU DO AMANHÃ (dia 8)

Finalmente tivemos que encarar a fila no Museu do Amanhã, pois era o último dia da estadia. É um museu tecnológico e, de todos os passeios, esse foi o que menos gostei. Principalmente porque insistimos tanto e tudo lá dentro não faz muito sentido (ou não me despertou tanto interesse, achei a procura exagerada). Seguimos para almoçar na Cinelândia e, de tarde, visitar nossa amiga Claudia Giannotti, coordenadora do Núcleo Piratininga de Comunicação, entidade que é referência em formação para comunicadores populares e sindicais. Saímos do NPC já de noite, com novos planos para o Terra Sem Males, encerrando muito bem nossa viagem de férias no Rio de Janeiro.

Encerro esse relato afirmando que a verba curta mencionada no título não foi tão curta assim e que a criança pequena não é mais tão pequena assim. Minha garota é uma ótima aventureira e eu queria muito proporcionar uma viagem de lazer para ela, que incluísse aeroporto. Para a minha sorte, Carolina curtiu muito cada museu, cada ida e vinda de metrô ou VLT, pois tudo pra ela vira festa com um picolé a tiracolo.

* Desenvolvi um blog chamado Bebê Crescendo até Carolina completar dois anos (2014) narrando minhas experiências com ela sendo de mãe de primeira viagem. Continuo de primeira viagem, tanto como mãe, como de viagem programada para o turismo de férias com a filha.

** Por mais que você programe um roteiro informal para turistar e se informe sobre horários e valores, sempre tem uma surpresinha de trajeto.

 

2 comentários em “Dicas para fazer turismo no Rio de Janeiro com verba curta e criança pequena

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