EM BUSCA DA TERRA SEM MAL

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“Singular e assombroso o destino de um povo como os Guarani!
Marginalizados e periféricos, nos obrigam a pensar sem fronteiras
Tidos como parcialidades, desafiam a totalidade do sistema.
Reduzidos, reclamam cada dia espaços de liberdade sem limites
Pequenos, exigem ser pensados com grandeza.
São aqueles primitivos cujo centro de gravitação já está no futuro.
Minorias, que estão presentes na maior parte do mundo.”
(Bartomeu Meliá)

Foto: Paulo Porto
Foto: Júlio Cesar Carignano

A busca da chamada Terra Sem Mal é uma constante no jeito de ser e da concepção de mundo do povo Guarani. É um lugar intocado onde não existe nem rivalidades, violência e falta de reciprocidade. Um espaço mítico onde o teko porã (“bom proceder”) predomina em relação ao teko marã (“mal proceder”) e o mba’e meguã (“coisa má”) simplesmente inexiste.

Esta inspiração divina é que faz com que os povos Guarani sigam lutando por suas terras, por seus direitos e por seu modo de ser, uma caminhada que contrasta com o nosso triste universo permeado de cercas, propriedades privadas e onde tudo se converte em mercadoria. Inclusive a própria terra, algo inconcebível para a perspectiva das comunidades Guarani. A busca da Yvyv Marã’y segue sendo a mola propulsora da vitalidade da cultura Guarani, como uma espécie de utopia ancestral, que como já nos ensinou Galeano, tem como objetivo nos colocar a caminho.

Que sigamos caminhando inspirados nesta utopia indígena e façamos da luta pela Terra Sem Males nossa luta de cada dia!

Paulo Porto Borges, professor universitário, indigenista, fotógrafo documental e vereador em Cascavel-PR.

CLIQUE AQUI para conferir um artigo sobre o povo Guarani no oeste do Paraná.

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