“Eu só não vou se eu não quiser”. E a gente precisa ouvir isso.

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Noite de aprendizado e compartilhamento de sensações com as Promotoras Legais Populares de Curitiba

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

Ao som de uma adaptação do clássico de 1939 de Chiquinha Gonzaga, as mulheres que se tornaram oficialmente naquela noite novas Promotoras Legais Populares entraram no Salão Nobre da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná cantando e dançando, à capela, “Oh abre alas, que as mulheres vão passar…”

Esse foi só o primeiro dos diversos momentos de mística que pudemos presenciar na noite da última sexta-feira, 25 de novembro, durante a solenidade de formatura de 2016 das Promotoras Legais Populares, turma Dilma Vana Rousseff.

Dilma foi a homenageada, junto com outras quatro outras mulheres de lutae m defesa de direitos, que se tornaram nome de turma nos anos anteriores em que o projeto das PLPs se concretizou. “Todos os anos são homenageadas mulheres de luta que dão poder ao povo” definiu a formanda Adriana, que foi a responsável por narrar a história de vida da presidente Dilma.

O projeto reúne mulheres de diversas profissões, com visibilidade nas comunidades e situações em que atuam, de variadas situações financeiras, que se reuniram, durante seis meses, todas as segundas, por duas horas, para refletirem sobre a importância do protagonismo das mulheres nas lutas, sobre ser fundamental passar a mensagem adiante, sobre apoio mútuo em situações de violência contra mulheres, e também sobre como “meter a colher” e não se omitir nestas situações. Coordenado pela professora Melina Fachin, da UFPR, as promotoras legais populares ensinaram a pluralidade e a diversidade para a representante da academia, como ela própria mencionou.

A solenidade de formatura teve o relato das diversas histórias de lutas das mulheres ao longo da história do Brasil pela advogada e PLP Naiara Bittencourt. Ela destacou o desafio de falar sobre conjuntura no contexto atual e com recorte de gênero, reforçando o protagonismo do feminismo. “O projeto me construiu como mulher. É preciso falar de resistência, força, garra e lutas”, saudou a militante.

Cada intervenção de uma promotora legal popular em formação despertava a empatia e a vontade de propagar e dar visibilidade à mensagem destas mulheres. “Não julgue, não filtre, pega sua colega pela mão e leva ela junto”, exemplificou a professora Gisele, da turma de 2015, sobre como os conceitos que aprendeu no projeto são implantados em sala de aula.

A bancária Ana Busato é uma das novas Promotoras Legais Populares. Ela levou a família toda para prestigiar sua formatura e explicou que o que aprendeu no curso será utilizado em todos os ambientes em que atua como militante sindical e feminista.

Das oradoras de turma, frases que poderiam ter sido verbalizadas por todas as outras mulheres ali presentes:

“Eu me descobri dona de mim mesma, dona das minhas decisões”.

“Não podemos deixar de dividir esses saberes com outras mulheres”.

“Quebramos tabus que ao longo do tempo reproduzimos, sem voz e sem vez”.

“Eu só não vou se eu não quiser”.

“Cortar o cabelo na hora que eu quero tira mais do que o peso do cabelo das minhas costas”.

“Sozinhas vamos bem, mas juntas vamos melhor”.

“Vivemos numa sociedade patriarcal que tenta nos oprimir e nos silenciar todos os dias”.

“Não é preciso saber os conceitos feministas para uma mulher compreender que sua vida precisa do feminismo”.

A cada frase proferida, pelas formandas, pelas oradoras, pelas mulheres que compuseram a mesa, cada música cantada nas místicas reforçaram valores de independência, de ajuda mútua, de companheirismo entre essas mulheres, as novas formandas Promotoras Legais Populares que, agora, estão prontas para partilhar saberes e passar esse conhecimento de solidariedade adiante. 50 novas disseminadoras das lutas feministas de todos os dias. Viva a turma Dilma Vana Rousseff das Promotoras Legais Populares de Curitiba!

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