Faces do Bolsonarismo – indiferença e individualismo

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por Pedro Carrano

No dia 8 de agosto deste ano, o Brasil passava o número de 100 mil mortes.

No mesmo dia, o bolsonarista e assessor parlamentar comissionado, Eder Borges, fazia um post de uma foto com ao menos onze pessoas sem máscara, em Curitiba: “Pequena aglomeração da Direita em nome da causa nobre do churrasco”, descreveu a foto de uma turminha sorridente.

Estavam ali na foto Oswaldo Eustáquio, preso recentemente, acusado de formar uma rede de organização de atos contra a democracia, ele que publica em um site na região metropolitana de Curitiba marcado por várias fake news. E também estava na pose da foto o delegado Gastão Scheffer Netto, candidato fracassado em 2018.

Gastão mora ao lado da antiga Vigília Lula Livre. Fez de tudo para ficar conhecido em maio de 2018, quando, numa manhã, destruiu a caixa de som de um trabalhador contratado pela organização da vigília.

Gastão tentou argumentar – e alguns jornalistas experientes engoliram o relato -, que ele teria atacado a vigília porque sua filha, recém-nascida, não conseguia dormir à noite. Mas qualquer um sabia que o acampamento já não estava ali no local e as atividades se encerravam às 19h30. Começavam às 9h, a uma quadra de sua casa. A construção perto de sua casa emitia muito mais ruído.

Ninguém disse isso, mas o trabalhador de som atacado é negro e vive da sua operação de áudio em eventos. A destruição e o dia de fúria hollywoodiano do delegado lhe custou bem caro.

Gastão, por sua vez, saiu em outdoors na região que diziam para fazer como ele e defender a própria família. Gastão também escreveu “Bolsonaro 2018” no meio da rua, insuflando moradores contra a vigília. Borges constantemente atacava a Vigília, arrumava confusão e brigas por lá, como nalgumas noites quando fazíamos entrevistas com convidados – intelectuais, acadêmicos, figuras da política nacional -, na Casa da Democracia.

A foto, no fundo, revela a ideologia de Gastão e sua turminha, como opinou um amigo psicanalista: defendem supostamente a própria família e desprezam os outros.

Que fique para a História. No dia que alcançamos 100 mil mortos, havia gente se aglomerando para um churrasco e desprezando máscara e distanciamento social. Agora, com a chegada do calor e a maior flexibilização nas capitais, a imagem da indiferença e do hedonismo fica ainda mais forte. A História não vai esquecer e vai condenar esses supostos intelectuais e ativistas que defendem esse projeto de morte e miséria.

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