Famílias encorpam vigília e greve contra demissões de petroleiros

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Trabalhadores da Petrobrás estão há 18 dias numa greve unificada para que a fábrica de fertilizantes, localizada no Paraná, não seja fechada pelo governo Bolsonaro

Por Paula Zarth Padilha | Foto: Joka Madruga

Ao entrar no prédio sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em Curitiba, no início da tarde desta terça-feira (18), a primeira imagem que se destaca entre coletes alaranjados é a de cinco crianças sentadas num sofá. Ao redor delas, mulheres com camisetas, também de cor laranja, onde está escrito ‘Fafen Resiste’.

A manifestação dos trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) da Petrobras migrou da cidade Araucária, na sede da empresa, por conta da realização de uma audiência da Justiça do Trabalho. E com os grevistas, vieram também seus familiares.

“Nós formamos um grupo de esposas, não só para dar apoio aos nossos maridos, mas para nos apoiarmos mutuamente, com nossos filhos, nesse momento de risco de demissão, para manter a dignidade de nossas famílias”, explica Priscila Riba, que levou para a Justiça do Trabalho seus dois filhos pequenos. Faz 18 anos que o marido de Priscila trabalha na Fafen. Ela é fisioterapeuta autônoma e se dedica, com um grupo de aproximadamente 100 mulheres, a apoiar a greve dos petroleiros contra a demissão de mil trabalhadores e pelo cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

“Estamos reunidos aqui hoje para mostrar que somos trabalhadores e queremos o direito de continuar trabalhando. Somos ordeiros, viemos prestigiar a audiência. Vamos mostrar a indignação com o momento que estamos vivendo, queremos fazer crescer nosso país, sustentar nossas famílias”, explicou, na concentração anterior à audiência, Otêmio de Lima, diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas do Estado do Paraná (Sindiquímica-PR).

Na sede do TRT estavam reunidos muitos funcionários da Fafen. Todos com seus uniformes de trabalho e dispostos a conversar sobre o motivo da paralisação. Por trás do anúncio do fechamento da fábrica, tem o abandono do investimento na planta e narrativas contraditórias por parte do governo, rebatidas pelos trabalhadores.

“A gente conhece o potencial da planta e sabe que tudo (o fechamento e as demissões) é político. A gente viu o sucateamento desde o golpe. Só teve manutenção, sem investimentos. Mas a unidade é operante. Ela está parada, mas não tem problemas nos equipamentos”, explica Luiz Nickele, que trabalha na Fafen há 14 anos.

Outro trabalhador expõe que o governo Bolsonaro alega prejuízo para anunciar o fechamento da unidade, mas denuncia que é intencional, causado pela gestão atual da Petrobras. “Como é que você tem uma empresa que vende um produto para essa mesma empresa e dá prejuízo? Eles aumentaram o preço da matéria prima que compram para fabricar a ureia e estabilizaram o preço de venda”, diz Everton Piska, funcionário da Fafen há 10 anos.

Entre os movimentos apoiadores, está o Levante Popular da Juventude, que participa nacionalmente de atividades no movimento grevista dos petroleiros. A ativista Anna Sandri explica que o Levante se integrou na paralisação para fortalecer luta e defender a soberania nacional, contra a política de privatização.

Além de todo o contexto de conjuntura política, econômica e de defesa da soberania, a greve dos trabalhadores da Petrobras mostra um dos aspectos mais cruéis de medidas unilaterais que um governo pode decidir numa canetada. “Nossa greve é pelos nossos empregos, porque estão demitindo em massa, descumprindo nosso acordo”, define Cezar Adriano, trabalhador da Fafen há 14 anos.

Nesta semana, o TST, tribunal superior, julgou pela ilegalidade da paralisação e autorizou a Petrobrás a demitir os grevistas. A greve nacional dos petroleiros completou 18 dias, com adesão de mais de 21 mil trabalhadores em 121 unidades do Sistema Petrobras em todo o país.

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