Famílias estão há dez dias acampadas na Usina de Baixo Iguaçu pelo reassentamento coletivo no Paraná

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Com informações do Movimento dos Atingidos por Barragens

No dia 18 de outubro, os atingidos pela construção da Usina Hidrelétrica de Baixo Iguaçu, na cidade de Capanema, Sudoeste do Paraná, ocuparam a obra para pressionar o governo do estado e o Consórcio Energético Baixo Iguaçu, formado pela empresa Neoenergia e pela Copel, a apresentarem uma nova proposta de reassentamento às famílias que terão terras inundadas total ou parcialmente pela usina.

De acordo com o movimento, os atingidos exigem imediata retomada das negociações, cumprimento dos acordos já pré-estabelecidos, imediata aquisição de área de terra para o Reassentamento Rural Coletivo aprovada pelos atingidos, plano urbanístico e indenização da área de Preservação Permanente de 100 m para o Distrito de Marmelândia e elaborar em conjunto aos atingidos os critérios ainda em desacordo.

No dia 11 de outubro, em reunião entre as famílias, representantes do governo, do Ministério Público e da Defensoria Pública, a empresa deveria apresentar áreas já visitadas e aprovadas pelos atingidos para a realocação. No entanto, o Consórcio propôs uma indenização em dinheiro, que foi avaliada pelos atingidos como insatisfatória. Uma nova proposta deveria ser apresentada no dia 18. Sem resposta, as famílias ocuparam as obras da usina.

“A pauta do movimento é de reassentamento coletivo, para que se mantenham os laços comunitários e para garantir uma terra justa”, explica Guilherme Uchimura, advogado do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), do qual famílias afetadas fazem parte. A obra deve afetar pelo menos 1025 famílias, moradoras dos municípios de Capanema, Capitão Leônidas Marques, Planalto, Realeza e Nova Prata do Iguaçu.

Nesses 11 dias de mobilização, a postura da empresa é de criminalizar o movimento. Após dois dias de ocupação da usina, o Consórcio Empreendedor Baixo Iguaçu começou a divulgar na comunidade, no canteiro de obras e na imprensa local a ameaça de demissão massiva de trabalhadores e que a motivação seria a paralisação da construção da Usina.

“UHE Baixo Iguaçu: se para alguns é dinheiro, para os atingidos é destruição da vida e da história”.

O Terra Sem Males apoia a luta dos atingidos do Paraná e se solidariza às famílias para que continuem pressionando pela garantia de seus direitos. 

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