FARSA – A MISSÃO: Presidente dos Correios vai pra China e libera trabalhadores para ir às assembleias aceitar reajuste zero

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Por Cinthia Alves (SINTCOM-PR)

Um fato inédito está acontecendo nos Correios: o presidente da empresa manda liberar os trabalhadores durante o horário de expediente para que eles compareçam às assembleias e garantam o aceite da proposta da empresa de reajuste zero. Enquanto isso, ele vai pra China. O presidente dos Correios, Carlos Fortner, está em Pequim e por lá ficará até domingo (19). Ele chegou no dia 11, para participar de uma “reunião de alto nível” com o Operador Postal Oficial da República Popular da China (China Post), segundo despacho oficial do ministro Gilberto Kassab, publicado no dia 11 de agosto, ou seja, no último sábado.

No dia 10, enquanto provavelmente Fortner já estava em viagem, os trabalhadores dos Correios recebiam mensagens, em seus celulares pessoais, com vídeos e textos ameaçadores de Fortner. A mensagens diziam que se os trabalhadores não aceitarem a proposta de reajuste zero da Empresa, somente a reposição da inflação, medida em 3,68%, a ECT cortaria todos os benefícios do Acordo Coletivo, já nos contracheques do final do mês. Ao mesmo tempo, mandou os gestores realizarem uma sondagem junto aos trabalhadores para dizerem se concordavam com a proposta e depois divulgou na mídia que tinha a aprovação de 70% dos funcionários.

Desespero com uma possível greve

Apesar de estar com o controle dos Correios nas mãos, os mandatários de Carlos Fortner: Temer/Kassab/Campos/ precisam evitar uma greve durante a campanha eleitoral para não desgastar ainda mais o já combalido desgoverno Temer e impedir que muita sujeira venha à tona. Gilberto Kassab e Guilherme Campos são investigados e já respondem a processos por fraudes e desvios tanto nos Correios, quanto na prefeitura de São Paulo, quando Kassab foi o prefeito. Para ambos, a eleição é uma questão de sobrevivência, pois precisam garantir foro privilegiado em julgamentos no STF.

O início da farsa

Durante as negociações da campanha salarial, Fortner fez diversos ataques, entre eles, cortar o pagamento dos vales, pagando somente por dias trabalhados, aumento de jornada de trabalho sem pagar hora extra, extinção do vale cultura e vale cesta natalina, entre outros benefícios. Depois, veio com a oferta de um reajuste fajuto, abaixo da inflação. O xeque-mate estava reservado para os últimos minutos do dia 7 de agosto, data em que a categoria iria deflagrar uma greve sem precedentes na história dos Correios, a partir das 22h. A Empresa recorreu ao aliado Tribunal Superior do Trabalho, entregando uma proposta prontinha.

O vice-presidente do TST, divulgou a proposta, como se ela tivesse partido do Tribunal, mas estranhamente deixando que a Empresa se pronunciasse depois dos trabalhadores, fato bastante incomum, pois como um Tribunal pode ofertar algo sem que o dono do dinheiro esteja disposto a pagar, não é mesmo?! O ministro ainda enfatizou que a proposta só valeria se os trabalhadores não entrassem em greve. A possibilidade de aplicação da reforma trabalhista foi a ameaça fatal usada pelo magistrado para convencer os trabalhadores a não arriscarem uma greve e deixar a campanha salarial ir à dissídio naquela Corte. O conluio estava concretizado.

A proposta e os riscos futuros

A proposta de recomposição da inflação de 3,68% nos salários e demais benefícios, assegurando as cláusulas sociais do ACT, por mais um ano, apesar de não deixar que a categoria tenha perdas históricas, não contempla nenhuma das demandas dos trabalhadores. Continuaremos sem aumento real, com cobrança abusiva na mensalidade e coparticipação do plano de saúde – até que haja uma nova discussão no TST. Avança o sucateamento da empresa, fechamento de agências, extinção de cargos, terceirização da mão de obra e falta de concurso público.

Também não foi conseguido colocar nenhuma cláusula de garantia de manutenção do ACT nos próximos anos, caso não haja acordo. Se em ano eleitoral, não conseguimos avançar, o risco de retrocessos nos próximos anos é muito grande. Os Correios dependem diretamente das direções políticas indicadas por quem venha a ganhar as eleições e já se sabe que pelo menos sete postulantes à presidência da República são favoráveis à reforma trabalhista e colocam os Correios na mira da privatização: Bolsonaro (PSL), Alckimin (PSDB), Marina Silva (Rede), Álvaro Dias (Podemos), Meirelles (MDB), Amoêdo (Novo), Cabo Daciolo (Patriota).

“A estratégia dos políticos que dirigem a ECT foi ameaçar os trabalhadores com ataques que retiravam direitos históricos da categoria, para depois ofertar a manutenção de direitos e reposição das perdas inflacionárias, levando os trabalhadores a acreditar que mantendo tudo como está já é uma vitória. Isso é um engodo”, afirmou China, secretário geral do SINTCOM-PR.

As duas Federações, Fentect e Findect, orientam os trabalhadores a aceitar a proposta. O SINTCOM-PR acredita que uma greve forte e ampla, poderia forçar a direção da ECT a atender a alguns pontos da pauta dos trabalhadores que não foram sequer analisados, mas sem uma adesão maciça, uma greve irá apenas punir os mesmos trabalhadores que sempre lutam por direitos enquanto outros só colhem os benefícios da luta. Sindicato não faz greve sozinho, cabe aos trabalhadores decidirem. O SINTCOM-PR irá apoiar a decisão soberana da maioria.

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