Festival no Paraná resgata sabedoria feminina medicinal dos povos originários

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O 4º Festival Sul-Americano de Saberes Femininos – Medicinas da Mãe Terra, que ocorre em São José dos Pinhais entre os dias 22 e 26 de Novembro, resgata a multi-culturalidade e a sabedoria femininas dos povos originários da América e do mundo.

São mais de 400 pessoas, mulheres, homens e crianças. Mães, avós que falam sobre ervas, rezos e ciclos. Essas mulheres medicinas vêm de mais de diversos países: Peru, Chile, Colômbia, México, e de várias etnias indígenas do Brasil. O Festival promove rituais dos povos originários, como conexão com o fogo, os pés na grama, para o reencontro com a Terra – de onde brotam sabedorias – visando a avançada cura através da reconexão com a natureza.

Essas mulheres – entre parteiras, indígenas de diversas etnias, anciãs de culturas originarias das Américas, curandeiras, abuelas, terapeutas e benzedeiras – estarão presentes na 4ª edição para compartilhar e potencializar os conhecimentos antigos dos povos originários da América. Sabedoria essa que é reverenciada desde antes da colonização europeia.

“Nós estamos dando voz a uma série de povos que tiveram que, de certa forma, ocultar seu conhecimento para não serem perseguidos. Então o festival é uma retomada de poder dessas culturas que foram oprimidas”, explica a organizadora Anna Sazanoff.

O festival surgiu por uma necessidade de que, todos esse saberes que são tão naturais a muitos povos simples do Brasil, que tem contato profundo com a terra, com as plantas, as influencias dos ciclos lunares, as medicinas das plantas, a arte de parir naturalmente, estavam de certa forma sendo perdidos, pois muitas das novas gerações nascidas próximas a esses saberes não as valorizam, querendo levar uma vida mais urbana e tecnológica. Em outros países da América Latina o encontro com abuelas de diversas tradições são mais comuns, porém no Brasil, um encontro dessas dimensões ainda não acontecia.

A ideia é reestabelecer não só as sabedorias ancestrais, mas também a necessidade do contato com a natureza. Perceber os ciclos internos e relacioná-los com os ciclos externos. Por isso, algumas convidadas falam sobre os ciclos lunares e a relação com os nossos ciclos.

Mas o festival também abriga homens que buscam reconectar-se com a natureza. A palavra de ordem do festival é: vivenciar. Todos são convidados a não serem apenas meros ouvintes, mas também participar das atividades.

O que acontece no festival?
Diversos tipos de atividades estarão funcionando nos cinco dias de festivais. Descubra como funcionam algumas delas:

Ervas e Fitoterapia – Algumas rodas de conversa irão tratar das propriedades medicinais das ervas para diversas desarmonias, incluindo ervas para o feminino
Cantos Guaranis – Os índios guaranis trazem a voz como instrumento de poder e de aterramento na terra e no equilíbrio.
Parto Natural – Parteiras tradicionais trazendo os benefícios do parto natural a medicina das pomadas com placenta
Temazcal – Tendas de vapor, saunas indígenas que utilizam o fogo e a água para
purificar o corpo.
Encontros com abuelas e anciãs- Honrando a sabedoria ancestral das anciãs sabias.
Rodas de saberes com indígenas de diversas etnias: Guaranis, Yawanawás, Quechuas, Mapuches, Cariri xocós, Tupinambás

O que tem de novidade no Festival?

– Constelação Sistêmica Familiar com Cavalos – A constelação familiar é uma técnica que busca tratar problemas de pacientes. Atualmente já está sendo utilizada no Judiciário Brasileiro, o que mostra a aceitação da terapia. Funciona assim: o paciente diz qual a questão quer resolver e geralmente escolhe pessoas para representar os indivíduos envolvidos. Cria-se um campo energético, onde as pessoas são levadas a agir como se fossem aquelas que representam. Com base nos movimentos das pessoas escolhidas e reações, o terapeuta, junto ao analisado, consegue responder suas questões. Porém no festival a técnica será implantada com cavalos ao invés de pessoas. O que torna a constelação ainda mais instintiva e enriquecedora.
-Tenda Vermelha: Local de cuidado e acolhimento das mulheres, resgatando o habito ancestral das mulheres se recolherem num espaço amoroso com outras mulheres em seu período menstrual, onde trocam receitas, saberes, sonhos e cuidados umas com as outras.

Como Funciona o Festival
O festival será em uma chácara, os participantes podem escolher se acampam no camping ou se ficam em alojamento no local. Os ingressos já estão esgotados.

O participante pode vivenciar livremente qualquer atividade em grupo. São cobrados a parte apenas as cerimônias de temazcal ou atendimentos na Tenda da Cura – onde os convidados oferecem seus serviços individualizados de terapia integrativa.

Divulgação Festival
Foto: Camila Barp

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