“Foi um crime pesado”, desabafa morador de Brumadinho que salvou uma criança da lama

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Na próxima segunda-feira (25) completará um mês do rompimento da barragem na Mina Córrego do Feijão, que pertence à mineradora Vale em Brumadinho-MG. Centenas de pessoas perderam a vida e outras centenas estão desaparecidas. O distrito do município que dá nome e onde está a mina teve sua rotina alterada e afetada, inclusive emocionalmente. Em meio a tudo isto está Sebastião Feliz Camilo, de 63 anos, que sempre trabalhou na roça.

Seu Sebastião, como é conhecido, vivenciou toda a descida da lama tóxica da Vale. Teve noites de insônia por causa do que viu e, principalmente, do que fez. Ele salvou uma mulher e o sobrinho dela do meio da lama, com a ajuda de um vizinho. Ele estava na varanda quando ouviu o estrondo do rompimento e desceu para a beira de um barranco na propriedade onde vive. “Sentei aqui e fiquei olhando os ‘trem’ descendo. Não era laminha pouca não, era lama mesmo. Mais de dois metros de altura”, comenta. O trem não é só uma expressão mineira, realmente havia um com vagões no local e que foi levado pela enxurrada.

Ele voltou para sua casa, uns 200 metros de onde ele presenciou o ocorrido. Nisto ele houve os gritos na vizinha e desce para ver o que era. Ao chegar ele depara com o pé de uma criança para fora da lama. “Achei um pezinho e depois achei o outro, me agarrei num fio de arame e o puxei. Ele estava embaixo da tia”, relata. Tanto a mulher como a criança se limparam em sua casa.

É visível o tamanho da sua indignação. Desde o fato de não poder consumir os alimentos de sua horta até com as vidas que foram ceifadas. “Foi um crime pesado. É muita família. Meus filhos trabalhavam ali, mas saíram da empresa alguns meses antes”, desabafa.

Fotos: Joka Madruga/Terra Sem Males

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