Repórter fotográfico Leandro Taques lança San Lazaro Babalú Ayé nesta terça-feira, em Curitiba

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Fotógrafo mostra celebração religiosa e fiéis flagelados em Cuba. Foto: Leandro Taques.

Leandro Taques esteve em Cuba no ano de 2011 e soube da festa religiosa de San Lazaro – Babalú Ayé, mas não teve a oportunidade de fotografá-la. Retornou nos anos seguintes para registrar o povo cubano, que no dia 17 de dezembro celebra San Lazaro, santo flagelado que anda com seus dois cachorros. Babalú Ayé é o correspondente orixá. Os cubanos celebram com sacrifícios e se arrastam até a igreja com correntes amarradas a blocos de concreto para pagar suas promessas.

Os registros fotográficos foram transformados em livro, que será lançado nesta terça-feira, dia 02 de junho, em Curitiba. Taques contou com a plataforma kickante de financiamento coletivo para viabilizar a publicação do livro e o produto final é uma das opções de recompensa para os colaboradores.

O repórter falou com exclusividade ao Terra Sem Males. Confira a entrevista:

Terra Sem Males – Em que momento você decidiu que o projeto viraria livro?

Leandro Taques – Depois da primeira viagem para Cuba, quando “ouvi falar” de San Lazaro, retornei no ano seguinte, 2012, para fotografar a Romaria. Depois comecei a me interessar pelo crowdfunding e decidi que faria um projeto. San Lazaro seria um bom material… Em 2014 novamente fui fotografar já com a proposta da publicação.

Quais suas expectativas para o lançamento e a exposição?

A expectativa sempre é boa, a princípio nem era para ter exposição ou um “evento” para o lançamento, mas como a campanha ultrapassou a nossa meta, acabou sendo possível fazer a expo e o lançamento. Pelo retorno que tenho tido do povo creio que vai ser bem bacana. Uma forma bem bonita de “finalizar”. Missão cumprida e uma certa “prestação de contas”, principalmente aos que participaram com doações. Estou bem feliz!

Quando você realiza um projeto pessoal como esse, qual é o próximo passo?

O próximo passo é seguir caminhando. Alguns projetos engatilhados, outros ainda só ideia, e assim por diante. Muitas coisas para acontecer mas ainda nada muito “nítido”. Sigo fotografando e tratando bem as oportunidades…

A religiosidade dos povos é um assunto recorrente no seu trabalho?

Acredito que a religiosidade seja um assunto, que em algum momento, fotógrafos documentais sempre fotografam. Quase natural, óbvio, ouso dizer que se não todos, a grande maioria dos documentalistas, em algum momento registram a religiosidade. Eu venho fotografando esse assunto desde 2009. E provavelmente seguirei fotografando por muito tempo. Há muito o que fotografar.

Qual a importância do processo colaborativo de familiares para a finalização do seu livro?

Segundo as estatísticas do financiamento colaborativo, 80% das doações acontecem do seu “primeiro círculo” ou seja, familiares e amigos e gente que conhece e acompanha o seu trabalho. No meu caso não foi diferente, ainda não fiz esse levantamento mas a média é essa mesmo. A maioria dos doadores são pessoas, físicas ou jurídicas, que conhecem o meu trabalho. Essa é a lógica do crowdfunding.

Já tem algum novo projeto previsto?

Ainda nada muito definido, por enquanto apenas ideias.

Lançamento do livro San Lazaro Babalú Ayé, de Leandro Taques
Data: terça-feira, 02 de junho
Horário: 19 horas
Local: Museu da Fotografia – Solar do Barão (Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533)

Sobre o autor:

Leandro Taques é jornalista e repórter-fotográfico, graduado em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná. Pós-graduado em Fotografia, pelas Faculdades Curitiba e em Fotografia enquanto Instrumento de pesquisa nas Ciências Sociais, pela Faculdade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro.

Trabalha como repórter-fotográfico desde 1998. Em 2002 fotografou no Afeganistão durante a invasão americana àquele País. Ainda em 2002 registrou o cotidiano do povo do Tibet e Nepal. Em 2006/2007 realizou o Projeto Documental O Retrato da Paz – Angola – África, que resultou um livro e uma exposição que foi mostrada em mais de 15 cidades pelo Brasil além de inúmeras palestras. Pelo trabalho sobre Angola recebeu menção especial no Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos 2007. Em 2013 fotografou a Palestina ocupada e também na Síria.

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males 

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