“Essa crise tem nome e CPF! Chama-se Jair Bolsonaro”

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Em franca queda, Bolsonarismo cai, mas cai atirando; Globo e setores do Centrão antecipam o debate eleitoral de 2022, ainda sem alternativa de direita; E genocídio do povo por parte do governo federal, diante da crise econômica e da pandemia em si, parece ser a bala de prata que ameaçaria a sustentação de Jair Messias Bolsonaro. Mas como e quando? Eis as questões.

por Thea Tavares | Foto: Lula Marques/Fotos Públicas

Durante debate com colunistas do portal Terra Sem Males na noite da última sexta-feira (22) sobre o tema da Reforma Agrária Popular, João Paulo Rodrigues, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), não pode deixar de manifestar sua avaliação sobre o momento atual no Brasil e sobre as dúvidas e polêmicas que se seguiram à autorização da divulgação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril deste ano, apontado pelo ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, como prova material da ingerência do Presidente da República sobre a Polícia Federal. O mesmo Moro que, aliás, é quem presenteou Bolsonaro com uma eleição contaminada por processos fraudulentos, notícias falsas e ausência de debate democrático.

Na opinião da liderança sem terra, o Bolsonarismo atravessa o seu pior momento em popularidade, mas ainda não chegou no fundo desse poço, que seria estabilizar-se num patamar de um dígito, ou seja, abaixo de 10% de aprovação. Na sua visão, as discussões em torno do celular do Presidente, da nota do general Heleno e do vídeo em si, carregado de elementos graves, mesmo que já esperados, acabam camuflando a necessidade de mudanças na política econômica, para diminuir os impactos da crise que massacra a população em geral e a classe trabalhadora do País com requintes de crueldade, e o genocídio do povo brasileiro praticado por esse governo e que se torna mais evidente no contexto da pandemia do novo coronavírus. “Acho que o que é mais central e que esses eventos acabam mascarando são as mais de 20 mil mortes [21.145 óbitos, até o fechamento deste artigo] que estamos tendo no país”, disse João Paulo.

O colunista Fernando Lopez, idealizador do Social Lista, destacou justamente a ausência de qualquer preocupação da alta cúpula do Executivo Federal com relação à pandemia, a estratégias e formulação de planos de contenção do avanço da COVID-19, o que seria de se esperar do Presidente da República e dos seus ministros. Ele lembrou que não houve nenhuma menção nos trechos da reunião ministerial que se viu aos milhares de mortos pela doença. Naquele instante, vale destacar, o Brasil atingia a marca de 2.678 óbitos confirmados oficialmente e até pelo incentivo para as pessoas irem às ruas e pelo apelo por se “normalizar” a atividade comercial nos estados, que motivaram os xingamentos a governadores, prefeitos e outras autoridades, chegamos um mês depois às 21.145 vítimas fatais do novo coronavírus. 

A bem da verdade, a única alusão feita à pandemia nos trechos divulgados dessa reunião ministerial saiu da boca do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, quando discorreu sobre o oportunismo em se aproveitar do fato de que a atenção da imprensa e da sociedade se concentrava na COVID-19 para passar a rodo “as reformas infralegais de desregulamentação” da Amazônia. Nesse nível! Por isso que João Paulo Rodrigues reforça a necessidade de focalizar o debate e cobrar responsabilidades em questões primordiais: como não deixar o nosso povo morrer e como mudar essa política econômica? “Naturalizar a morte de mais de vinte mil pessoas ou o que seria comparado à queda de cinco aviões de passageiros por dia, é algo gravíssimo e a principal preocupação colocada pra gente hoje”, afirmou a liderança do movimento popular. 

Genocídio do povo brasileiro e crise econômica podem ser os calcanhares de Aquiles de Bolsonaro

João Paulo Rodrigues

Além das inúmeras aberrações que podem implicar em crime de responsabilidade, praticadas por esse governo, e das ações de partidos, da sociedade civil e movimentos populares movidas contra ele, que descrevem 14 atos infracionais com jurisprudência e justificativa para um processo de impeachment, Bolsonaro pode vir a responder por essa postura nociva em julgamentos em tribunais internacionais, destacou João Paulo. “Ele enfrenta todas as decisões da OMS – Organização Mundial da Saúde -, e, na medida em que participa de atos públicos e vai para as ruas, ele leva todo esse povo que o acompanha a cometer suicídio”, completou. 

Também é creditado na conta do Presidente da República o descaso com a troca de dois ministros da saúde em plena pandemia do novo coronavírus, a carência de preocupação com a necessidade de equipar os profissionais da saúde para fazerem frente à COVID-19 no tratamento dos pacientes, a ausência de articulação internacional e o fato de jogar toda a culpa dos problemas econômicos decorrentes da pandemia em governadores e prefeitos que decretam o fechamento do comércio em suas localidades. Mas todos os absurdos que chocam milhões de brasileiros, a maioria da população, não parecem incomodar os adeptos do Bolsonarismo, uma vez que, para estes, essa caixa de Pandora que se escancara quando o Presidente da República abre a boca é justamente o que lhe garante sustentação. E, no âmbito do dilema da esquerda, a retirada de Bolsonaro do poder tem um significado fortemente moral e menos prático, se o sucessor for não mais um ex-militar louco, como bem definiu João Paulo, em meio a uma crise, mas um militar aparentemente nada louco e fora de uma crise. A saída, num cenário bem otimista, seria chamar novas eleições.

O dirigente nacional do MST lembrou as previsões do biólogo da USP, Átila Lamarino, que têm reverberado nas redes sociais e João Paulo avalia que podemos logo atingir a triste marca de 100 mil mortes com o novo coronavírus fazendo estragos nos lugares mais pobres, nas periferias dos grandes centros, onde o socorro emergencial pode não chegar ou estar acessível diante da quantidade de pacientes graves demandando cuidados especializados ao mesmo tempo. “Essa crise tem nome e CPF! Chama-se Jair Bolsonaro e nós precisamos dizer isso ao nosso povo”, afirmou João Paulo Rodrigues

Confira o bate papo na íntegra:

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