Greve dos Correios começa dia 7 de agosto

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Trabalhadores rejeitam aumento de 1,58%, abaixo da inflação

Os trabalhadores dos Correios do Paraná rejeitaram a proposta da direção da empresa de 1,58% de reajuste, que corresponde a 60% do INPC da data-base da categoria, que é dia 1º de agosto. O reajuste não cobre sequer as perdas da inflação do período que é de 2,64%. Em 17 assembleias realizadas entre os dias 24 e 27 de julho, eles aprovaram o indicativo de greve a partir do dia 7 de agosto. Além do Paraná, sindicatos de mais 25 Estados aprovaram a greve.

Após anunciar lucro de R$ 667 milhões, em 2017, a direção dos Correios além de propor um índice de reajuste abaixo da inflação, também quer retirar direitos históricos da categoria, como corte do vale-alimentação em períodos de licença médica por acidente de trabalho; diminuição no pagamento de adicional noturno; aumento de jornada de trabalho aos sábados sem pagar hora extra; rebaixamento da gratificação de férias entre outros ataques.

O secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Paraná (Sintcom-PR), Marcos Rogério Inocêncio (China), aponta que os trabalhadores da estatal têm sofrido com os inúmeros ataques da empresa, que se intensificaram nos últimos dois anos, sob a gestão política do PSD de Gilberto Kassab / Guilherme Campos/ Carlos Fortner, aliados de Michel Temer.

“Fechamento de agências próprias super remunerando as franquias – a maioria com políticos como proprietários, sobrecarga de trabalho, falta de pessoal, mudanças e penalização dos trabalhadores no plano de saúde, arrocho salarial, locais de trabalho precários e com todo tipo de falta de estrutura, problemas com o Plano de Previdência, reajuste das tarifas, atraso nas entregas, ameaça de privatização e outras,  têm sido algumas das mazelas a que os trabalhadores dos Correios e a população têm sido submetidos pelos gestores dos Correios. O problema não é falta de recursos, é má gestão”, disse China.

Os Correios também extinguiram cargos e estão contratando mão de obra terceirizada para não realizar novos concursos. O problema é que as empresas terceirizadas não pagam os funcionários e a ECT, mesmo fazendo os devidos repasses, acaba arcando com as dívidas deixadas, pagando duplamente pelos serviços prestados. No ano passado, a ECT gastou quase R$ 1 bilhão na contratação de empresas de consultoria e dedicou outros milhões em patrocínios esportivos em modalidades pouco populares, mas que agraciavam amigos da direção política da empresa, como o squash e o rúgbi.

Fisher Moreira, diretor de imprensa da Fentect, federação que agrega 31 sindicatos da categoria, alerta que a direção da ECT recusou o pedido de manter o Acordo Coletivo vigente durante as negociações. O ACT é válido somente até o dia 31 de julho e a ultratividade foi derrubada com a aplicação da reforma trabalhista.

“As assembleias por todo país deixaram claro que os ataques da empresa só serviram para motivar os trabalhadores. Mesmo fazendo uso da Reforma Trabalhista e da ameaça de suspensão do ACT, os trabalhadores vão dar a resposta à altura, construindo a maior greve dos últimos tempos”, afirmou Moreira.

Os Correios realizam a entrega de 1,2 milhão de mercadorias por dia. A estatal já perdeu 20 mil funcionários nos últimos cinco anos. A queda foi de 125,4 mil empregados em 2013 para os atuais 106 mil – corte de 15,5%. No Paraná, houve redução de 13% no quadro, passando de 6.700 funcionários (2013), para 5.609 em 2018. A meta é reduzir para 88 mil funcionários. Mais da metade dos 106 mil funcionários é de carteiros, com salários médios de R$ 1.600.

Fonte: Sintcom-PR

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