Greve dos Correios tem adesão de 70% dos funcionários no Paraná

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Funcionários dos Correios de todo o país​ ​​​realizaram assembleias ​e decidiram pela deflagração da greve ​desde as 22h desta terça (19). São 108 mil funcionários, sendo 6,5 mil somente no Paraná. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Paraná, a adesão no estado é de 70% dos funcionários e deve aumentar nos próximos dias até a paralisação total dos serviços.

Em Curitiba, a direção da empresa acionou a Polícia Militar que chegou durante a madrugada na sede dos Correios, na rua João Negrão, para impedir que manifestantes dificultassem o acesso dos trabalhadores ao prédio. Embora os portões continuassem abertos, os trabalhadores não quiseram entrar e permaneceram na frente do prédio em sinal de protesto.

Os funcionários dos Correios querem 8% de reposição da inflação cuja data-base deveria ter sido efetivada no dia 1º de agosto. Também exigem a manutenção dos benefícios conquistados no último acordo coletivo. Os trabalhadores são contra o fechamento dos bancos postais, que por determinação da direção da ECT, deixaram de funcionar a partir de hoje, atingindo 412 agências no Paraná.

Após mais de 40 dias de atraso para dar início às negociações, começaram na semana passada, as tratativas entre trabalhadores e diretoria dos Correios para a Campanha Salarial 2017/18. No entanto, todas as propostas da empresa, até o momento, são de retirada de direitos dos trabalhadores. Para os sindicatos, a estratégia da empresa é sucatear os Correios visando a privatização.

A Fentect, federação que representa categoria no país, afirma que a direção da ECT continua intransigente e quer ganhar tempo para enquadrar o Acordo Coletivo de Trabalho 2017/18 à nova CLT, ou seja, reduzindo os direitos dos trabalhadores ao salário – sem reajuste – e ao vale transporte. 

Dos 31 sindicatos filiados à FENTECT, aderiram à greve os estados de Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, São Paulo (Campinas, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Vale do Paraíba e Santos), Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais (MG, Juiz de Fora e Uberaba), Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul (RS e Santa Maria), Sergipe e Santa Catarina.

Entre as conquistas trabalhistas que a ECT quer retirar dos trabalhadores, destacam-se o fim da obrigatoriedade dos concursos públicos; fim de pagamento de horas extras, instituindo banco de horas; fim da entrega de correspondências pela manhã, já flexibilizando e aumentando a jornada durante a tarde e anoite; fechamento dos bancos postais, extingue as cláusulas de proteção às gestantes, que poderão trabalhar em locais impróprios ou insalubres (salvo se houver recomendação médica, mas o médico será designado pela empresa e não precisa ser um especialista); exclui as comissões regionais que tratam da violência contra a mulher e da violação dos direitos humanos; retira a indenização por morte ou invalidez permanente; exclui textos que dificultem ou criem barreiras para a execução da Dispensa Motivada; extingue a fiscalização do cumprimento do acordo coletivo de trabalho por parte do sindicato e proíbe o aceso de dirigentes sindicais nos locais de trabalho; acaba com a participação dos aposentados nas ações da ECT.

Na área da saúde, a empresa quer cobrar dos funcionários a mensalidade do plano, enquanto aguarda decisão do TST sobre o assunto; retira o pagamento das remunerações ao empregado inapto para o retorno ao trabalho, enquanto ele aguarda julgamento de recurso no INSS; põe fim no atendimento psicológico para vítimas de assaltos; retira a ginástica laboral, prejudicando especialmente os carteiros; reduz o número de representantes da CIPA e retira a estabilidade provisória deles.

O secretário geral do Sindicato dos Talhadores dos Correios no Paraná (Sintcom-PR), Marcos Rogério Inocêncio (China), comenta que as medidas da empresa afetarão diretamente a população. “As medidas da empresa reduzem e dificultam o trabalho dos Correios, atrasando entregas, deixando de atender em localidades mais distantes e encarecendo os serviços. Com isso, a empresa estaria apta para ser privatizada, sabendo-se que que os Correios são os únicos a operar onde a inciativa privada não tem o menor interesse”, apontou Inocêncio.

Fechamento dos bancos postais

A direção dos Correios fechou os bancos postais em 1836 agências no Brasil, nos estados de AL, BA, CE, GO, MT, PE PI, PR, RN, RR, RS e Interior de SP, ou seja, nas localidades mais distantes, onde a população não tem agências bancárias e precisará se deslocar para outras cidades. A orientação da diretoria dos Correios é para que a população busque locais onde existam agências do Banco do Brasil.

“É um retrocesso e um prejuízo enorme para a população, lembrando que 204 municípios do PR possui menos de 20 mil habitantes e muitos só contavam com os Correios para serviços bancários e pagamento de benefícios sociais, como o FGTS, INSS entre outros. O Sindicato dos Correios do PR está marcando audiências públicas nas câmaras legislativas nas cidades afetadas para explicar à população os prejuízos decorrentes dessas medidas, além de ingressar com medidas judiciais, algumas já com liminar concedida em favor de se manter essas agências abertas e com segurança armada. Além da população, os funcionários também são afetados, pois acabam sendo transferidos e, muitos, em desvio de função. Trata-se de um claro processo de sucateamento dos Correios visando unicamente a privatização”, afirmou o secretário geral do SINTCOM-PR, Marcos Rogério Inocêncio.  ​ 

Por Cinthia Alves

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