Hospital e universidade recebem doação de alimentos do MST em Campo Mourão, Paraná

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Ação foi realizada por mais de 260 famílias de cinco comunidades do MST da região centro-oeste do Paraná para a Santa Casa e Comitê da Unespar. Desde o início da pandemia, o movimento doou mais de 85 toneladas de alimentos no estado.  

Foto: Aline Oliveira

Cinco comunidades do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizaram uma doação de 1,5 tonelada de alimentos em Campo Mourão, nesta quinta-feira (7). As doações chegaram à Santa Casa e ao Comitê de Apoio às Pessoas em Situação de Risco Social do campus de Campo Mourão da Universidade Estadual do Paraná (Unespar). 

Mais de 100 famílias cadastradas pelo Comitê vão receber as cestas repletas de mandioca, arroz, batata-doce, abóbora, milho-verde, feijão, frutas e verduras. A atividade contou com a participação do Sindicato dos Bancários, parceiro do comitê, e da Casa Terra Coletiva.  

A diversidade de alimentos é fruto do trabalho de 264 famílias camponesas, de cinco comunidades do MST na região centro-oeste do estado: acampamentos Valdair Roque, de Quinta do Sol; Monte Alto, de Peabiru; e Irmã Dorothy, de Barbosa Ferraz; e assentamentos Roncador, de Quinta do Sol; e Santa Rita, de Peabiru. 

“Essas doações não são sobras, nós estamos dividindo o que produzimos para consumo de nossas próprias famílias com outras famílias que podem estar com mais dificuldade que nós”, reforçou Martina Unterberger, integrante da direção estadual do MST que participou da ação. 

As doações fazem parte de uma ação nacional do Movimento em solidariedade às pessoas enfrentam a falta de alimento da mesa devido à pandemia do coronavírus. No Paraná, mais de 85 toneladas de alimentos já foram doados. “É importante ficar em casa e ser solidário. O período que a gente está vivendo no Brasil nos chama a atenção […], é um momento que exige que a gente se ajude e seja solidário uns com os outros”, garante Paulo Sérgio, integrante da direção estadual do MST. 

“O acampamento mudou a vida da gente”

Lucia Correia Richuiki é uma das agricultoras que colheu alimentos da roça e da horta para enviar às famílias que mais precisam na cidade. Ela vive há 14 anos no acampamento Irmã Dorothy, de Barbosa Ferraz, junto do esposo, do filho e dos netos. 

“Eu trabalhei muito pra fazendeiro, mas a gente mal tirava pra comer e pra se vestir. O acampamento mudou a vida da gente. Tem espaço pra plantar horta, pra ter vaca de leite e produzir muita comida. Aqui a gente tem uma vida melhor”, compara. 

A comunidade Irmã Dorothy está localizado a seis quilômetros da área urbana de Barbosa Ferraz, em uma área tem 415 hectares da fazenda São Paulo. A área estava abandonada e com gado bovino com surto de febre aftosa, e foi ocupada por trabalhadores Sem Terra 2005. Até 2015, o Incra manifestava o interesse em comprar a fazenda, porém o órgão não se manifestou posteriormente para resolução do conflito.

As 35 famílias que vivem na área sofrem com constantes ameaças de despejo, mas seguem a produção diversificada e farta de alimentos. “A gente não dorme tranquilo, sempre tem ameaça de despejo. Assim mesmo, estamos dispostos a ajudar a famílias da cidade, ainda mais nesse momento tão difícil”, conclui Lucia.   

União entre universidade e camponeses

A relação entre o campus de Campo Mourão da Unespar de comunidade do MST já tem mais de 10 anos. O contato iniciou em 2007 com objetivo de prestar apoio às 70 famílias que se encontravam sob ameaças de despejo por ocuparem a área do pré-assentamento Irmã Dorothy. 

Entre as inúmeras ações estão projetos de extensão para alfabetização de jovens e adultos e orientações técnicas-pedagógicas para o cultivo, manejo do maracujá, acesso a apresentações artísticas e feiras agroecológicas no campus da universidade.

Dois hospitais em um só 

A Regional de Saúde de Campo Mourão (referência para sete municípios) soma 69 casos confirmados, 27 pessoas curadas e 8 óbitos pelo coronavírus. Em todo o estado, são 1.656 casos e 104 óbitos até esta quinta-feira (7). 

Lucineia de Souza Scheffer, superintendente no Hospital Santa Casa de Campo Mourão, explicou que os 170 leitos da instituição estão divididos em duas alas, para evitar o contágio. “A gente teve que fazer dois hospitais dentro de um só, por isso dobra o consumo, dobra a demandas por funcionários, dobra tudo, porque você não pode cruzar nem refeição, limpeza, nada”, explica, ao falar sobre a importância da chegada dos alimentos. 

“A fé que a gente ter é muita. A humanidade vai passar por uma grande transformação”, avalia a superintendente.

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