Inflados pelo governo do Paraná, adolescentes das ocupações são expostos por pais e professores contrários aos atos

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Ocupações em escolas públicas estaduais do Paraná completam 22 dias enfrentando a criminalização do movimento

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

Com mais de 850 escolas públicas municipais ocupadas no Paraná contra a reforma do ensino médio anunciada de forma unilateral e sem diálogo pelo governo Temer, e contra a PEC 241, que congela orçamento para saúde e educação por 20 anos, o movimento dos estudantes paranaenses ganhou força nesses 22 dias de mobilização e escolas, universidades públicas e núcleos de educação foram também ocupados em outras regiões do país.

No dia 21 de outubro, a fanpage Ocupa Paraná, que centraliza as informações oficiais do movimento de estudantes e conta com mais de 45 mil seguidores,  foi retirada do ar, retornando na noite de domingo (23). No mesmo fim de semana, o governo de Beto Richa recebeu pais e professores contrários ao movimento estudantil, inflados pela continuidade da greve dos educadores (mobilização paralela pelo pagamento da data-base da categoria e que foi definida em assembleia no último sábado, 22), e decidiram contra-atacar, anunciando medidas contra as ocupações, que a agência oficial de notícias chama de “invasão”.

De acordo com texto da Agência Estadual de Notícias, o governo anunciou que os diretores e professores que estiverem dando amparo às ocupações e não cumprirem as determinações legais, responderão processos administrativos ou sindicâncias e poderão ser punidos com afastamentos e até demissões.

Na internet é possível  verificar faixas em frente às escolas contra as ocupações, além de relatos de dirigentes sindicais da APP, de coação e constrangimento da imprensa na tentativa de responsabilizar a entidade que representa professores e funcionários de escola pelo movimento estudantil, que é independente. Relatos em perfis pessoais de jornalistas do Paraná também dão conta que os sites de notícia não pautam seus profissionais para as mobilizações em defesa das ocupações mas dão importância para atos que criminalizam o movimento.

Na manhã desta segunda-feira, 24 de outubro, a frente Advogadxs pela Democracia, que presta solidariedade, orientação jurídica e apoio aos estudantes, recebeu inúmeras denúncias desses adolescentes que estão há duas semanas alojados nas escolas, dormindo no chão, por um ideal de futuro melhor e manutenção do direito ao ensino público.

“Isso me revolta muito. Tem professores do lado de fora rindo da cara dos alunos. Tem adolescentes lá dentro, dormindo no chão há duas semanas, com comida escassa, alunos que estão lutando pelos próprios direitos mas não só deles, direitos dos filhos de alguns pais que tentaram bater neles. Agrediram um aluno lá dentro e sinceramente isso é um absurdo tão grande”, relata uma aluna da escola Guido Arzo, no Sítio Cercado, em áudio que o Terra Sem Males teve acesso. Em vídeos enviados pelos alunos, também é possível ver que as faixas da mobilização foram retiradas, de acordo com os manifestantes, por pais de estudantes contrários ao movimento, e o arrobamento do portão de uma das escolas por um grupo de pessoas. “O que preservamos em duas semanas de ocupação, em duas horas de desocupação quebraram tudo, janelas, portões, jogaram camisinhas para incriminar a gente, espalharam nossa comida pela escola”, relatou uma aluna da mesma escola.

Os Advogadxs pela Democracia orientaram aos estudantes das ocupações para notificar professores e pais de alunos via SMS ou whatsapp que a ação de forçar desocupações, que estaria sendo organizada pelo movimento de direita MBL, com apoio de professores, pais e alunos contrários às ocupações, contraria decisão judicial que, até o momento, não concedeu reintegração de posse. E que ações de força poderiam provocar conflitos.

Na próxima quarta-feira, 26 de outubro, uma assembleia será realizada em Curitiba entre os estudantes das ocupações.

Situação em Campo Largo

O ministério Público do Paraná vai intermediar nesta tarde uma reunião com estudantes no município de Campo Largo, convocando os participantes das ocupações dos colégios Macedo Soares, 1º Centenário, Professor Aluísio, Djalma Marinho, Clotário Portugal, José Ribas Vidal e Augusto Vanin. A convocação do promotor de justiça Rodrigo Braziliano está sob a justificativa de “tratar das escolas ocupadas no município”. A frente Advogadxs pela Democracia vai acompanhar a reunião.

 

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