Jornalistas que visitaram Lula preso na ditadura são impedidos de vê-lo em Curitiba

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Mino Carta e Fernando Morais tinham permissão para visitar o ex-presidente na Polícia Federal, na condição de amigos

Lía Bianchini
Foto: Joka Madruga

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Os jornalistas Fernando Morais, do blog Nocaute, e Mino Carta, diretor de redação da CartaCapital, foram impedidos de visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta quinta-feira (04), na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba (PR). A decisão do superintendente da PF, Maurício Leite Valeixo, foi baseada na hipótese de que Morais e Carta, por serem jornalistas, poderiam usar a visita para fazer uma entrevista com o ex-presidente e, assim, contrariar a decisão do ministro Luiz Fux, confirmada pelo presidente do STF, Dias Toffoli, de que Lula não fale com nenhum veículo.

A visita dos jornalistas seguiu o padrão das demais visitas recebidas pelo ex-presidente: pela manhã, a equipe de advogados enviou à Polícia Federal a indicação da visita de Mino Carta e Fernando Morais e não recebeu qualquer tipo de negativa aos nomes.

O superintendente enviou um requerimento para a 12ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelas decisões sobre a custódia do ex-presidente Lula, que ainda não foi apreciado pelo juiz em exercício, Danilo Pereira Junior, substituto da juíza Carolina Lebbos.

Morais criticou a medida, e afirmou que o país vive sob um golpe conduzido pelo poder judiciário: “Na verdade o que ele [Dias Toffoli] está querendo dizer com essa proibição, que agora nos atinge casualmente, é que ele manda no país. O golpe verde-oliva que nós dois vivemos, o golpe fardado, agora é togado”.

O jornalista mostrou indignação ao lembrar que conseguiu visitar Lula quando foi preso durante a ditadura: “É uma vergonha, nós não íamos entrevistá-lo. Eu estive com Lula, por uma dessas terríveis coincidências, quando ele foi preso durante a ditadura militar, tenho fotos com ele. E agora, não posso visitá-lo durante a suposta democracia. Eu volto para São Paulo envergonhado de ser brasileiro”.

Mino Carta também contou que visitou Lula em abril de 1980 quando ele se encontrava preso no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Lula tinha sido processado e condenado com base na Lei de Segurança Nacional (usada durante a ditadura para perseguir manifestantes e grevistas), quando conduzia uma greve dos metalúrgicos do ABC Paulista, que chegou a ter 45 dias de duração.

Após terem a visita cancelada, os jornalistas foram para a Vigília Lula Livre para conversar com a militância.

Segundo a assessoria de Lula, ainda existe a possibilidade de que na próxima quinta-feira (11), quando o ex-presidente receberá novas visitas, o requerimento seja despachado aprovando a entrada de Carta e Morais. Ainda de acordo com a assessoria, este foi um caso inédito no histórico de visitas a Lula. Até agora, nenhum nome indicado havia sido impedido pela PF de realizar a visita.

Edição: Mauro Ramos

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