Laudo independente sobre água na Bacia do Rio Doce indica chumbo, manganês e arsênio em excesso

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Por Paula Zarth Padilha, Terra Sem Males

No final da tarde da última terça-feira, 15 de dezembro, mesmo dia em que o governo federal divulgou que a “Água do Rio Doce tem mesma qualidade de antes do rompimento de barragem”, atribuindo a morte de peixes somente à diminuição da quantidade do oxigênio na água, o Grupo Independente de Análise de Impacto Ambiental (GIAIA) também divulgou seu laudo: manganês, arsênio e chumbo em excesso foram detectados ao longo do Rio Doce nos locais atingidos pelos rejeitos.

A conclusão dos laudos técnicos oficiais foi divulga pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Serviço Geológico Nacional (CPRM): “Os resultados de novas amostras colhidas em diversos pontos do rio comprovam que a qualidade da água é compatível com análises feitas pelo CPRM em 2010. Os laudos apontam que, depois de tratada adequadamente pelas companhias de saneamento –de acordo com os padrões estabelecidos pelo Ministério da Saúde–, a água pode ser consumida sem riscos”. 

O resultado deste laudo foi divulgado pelo Portal Brasil, veículo de comunicação oficial do governo federal. A divulgação diz que: “Com relação à presença de metais pesados dissolvidos em água (cátions): arsênio, cádmio, mercúrio, chumbo, cobre, zinco, entre outros, os resultados de 2015 são, de modo geral, similares a levantamentos realizados pela CPRM em 2010. Os valores obtidos nas coletas indicaram condições em conformidade com a Portaria 2.914 do Ministério da Saúde, exceto para o manganês dissolvido que, no entanto, também pode ser tratado para padrões adequados ao consumo nas Estações de Tratamento”.

Análise independente – De acordo com relatório do laudo técnico independente produzido pelo GIAIA, há  Manganês acima do permitido pela legislação CONAMA 357 desde pontos de rejeito não afetados pelo rompimento da barragem que aumentam em pontos atingidos pela lama do rompimento.

Há Arsênio acima do permitido pela legislação CONAMA 357 desde pontos de rejeito não afetados pelo rompimento da barragem que aumentam em pontos atingidos pela lama do rompimento, até chegar à cidade de Barra Longa. Desse ponto até Governador Valadares não aparece o elemento, que volta a ter concentrações elevadas quatro vezes acima do permitido.

O chumbo em excesso foi detectado  nos pontos Rio Gualaxo do Norte no distrito de Paracatu de Baixo, em Mariana (MG) e na cidade de Rio Doce, locais que receberam rejeitos após o rompimento.

Os parâmetros alumínio dissolvido, ferro dissolvido, selênio total, cádmio total, lítio total, níquel total e zinco total estão em conformidade com a legislação CONAMA 357. As quantificações dos elementos químicos Antimônio (Sb), Bário (Ba), Cálcio (Ca), Césio (Cs), Cromo (Cr), Cobalto (Co), Cobre (Cu), Magnésio (Mg), Mercúrio (Hg), Rubídio (Rb), Prata (Ag), Estrôncio (Sr), Urânio (U) e Vanádio (V) ainda não foram disponibilizadas pelo laudo independente.

Acesse aqui a íntegra do relatório independente.

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