Lava Jato e Moro não existem sem a imprensa

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O prefeito de Curitiba, Rafael Greca, avisou o juiz Sérgio Moro que ele estava montando um palanque para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não adiantou, os holofotes da imprensa interessada no golpe falaram mais alto diante da evidente humilhação pela qual passaria a 13ª Vara de Curitiba e o Ministério Público, ao reunir cerca de 70 mil pessoas, de todos os estados, para a consagração de Lula como o maior líder político do Brasil.

Dito e feito, 10 de maio ficará marcado como o dia em que Lula pulverizou o mito midiático da República de Curitiba, desagravou o MP e mostrou para todo o planeta como é que se faz comunicação e política neste País. Durante cinco horas, os dois órgãos perguntaram a mesma coisa, de forma diferente e dezenas de vezes. Ao fim e ao cabo, frustraram a expectativa de Lula de ver o MP apresentar um documento, uma assinatura que o ligasse ao imóvel do Guarujá.

Os pouco mais de 50 curitibanos que saíram às ruas em apoio a Moro, devidamente trajados de verde e amarelo, ficaram severamente decepcionados. Assistiram a um juiz e três procuradores aplicarem a um senhor com mais de 70 anos, por cinco horas, um cansativo e sub-reptício interrogatório e, ainda assim, não o apanharem em contradição no depoimento. Lula colocou os quatro no bolso e avisou que ainda tem muito a dizer sobre os procedimentos e seletividade da pirotécnica Operação Lava Jato.

Moro e MP revelaram total desprezo, tanto pelo depoente quanto pela Lava Jato, ao usarem matéria mal feita e publicada na Folha de S. Paulo para inquirir o presidente acerca de possível relacionamento com determinada pessoa julgada na operação. Lula simplesmente desqualificou a fonte, lembrou a Moro que a operação existe apenas porque a imprensa a mantém de pé e o advertiu sobre o que a mídia fará com ele, caso o ex-presidente seja absolvido.

Lula apresentou ao meritíssimo, como se ele não soubesse, dados que demonstram como a operação é a pauta única do Brasil, desde 2014, com o Partido dos Trabalhadores e Lula como personagens a serem destruídos. Em um ano, o Jornal Nacional dedicou mais de 18 horas de matérias negativas contra ele. Como se não bastasse o avô, os netos estão sofrendo perseguição na escola pela exposição criminosa de Lula na imprensa.

Moro cobriu de vergonha seus seguidores quando demostrou que está acima da Lei e das regras impostas aos demais mortais. Ele passou por cima de uma determinação sua, a de circunscrever o depoimento aos assuntos pertinentes ao triplex da OAS. Ele inquiriu Lula sobre o sítio de Atibaia, figurado em outra ação movida contra o ex-presidente, apesar dos veementes protestos da defesa, que foi constantemente acusada por Moro de tumultuar o depoimento.

A maior prejudicada da irrefletida empreitada foi a mídia que mantém a Lava Jato na ordem do dia. Sua tibieza e falta de credibilidade não resistiram à torrente de informação ao vivo dos vários veículos de comunicação e jornalistas não alinhados ao establishment. A voz de quem mais tem a perder em momento dramático da história brasileira não foi sufocada pela mídia golpista, e mobilizou centenas de milhares de pessoas nos estados e no mundo.

A festa da justiça e da democracia, generosamente acolhida pelos curitibanos, foi de interesse internacional. Um dos maiores líderes do planeta, o torneiro mecânico que é doutor honoris causa em centenas de universidades do mundo, depunha em uma causa denunciada pela sua defesa à Comissão de Direitos Humanos da ONU, como perseguição política.

A rede de televisão que livremente entrevistou os apoiadores de Moro, registrou o palanque do Lula do alto de um edifício. A TV foi, como tem acontecido em todo o País onde há manifestações legitimamente populares, hostilizada pela dezena de milhares de apoiadores de Lula e teve de sair do local para não ter o equipamento destruído. A população sabe quem está por detrás das manipulações de desinformação dos procedimentos da Lava Jato e da conjuntura nacional.

Moro e Dallagnol, aquele surfista promotor de justiça que não compareceu para explicar os dados probatórios do Power Point “caçamba”, saíram do depoimento diminutos, ridículos e desmoralizados. Não porque não tiveram a competência para demonstrar algum indício de prova que incrimine Lula, pois isso faz parte do processo.

A insignificância de ambos se dá pelo vaidoso circo que armaram para satisfazer os interesses de quem sustenta o espetáculo Lava Jato, por desqualificarem o alto nível dos servidores dos órgãos que representam e por desacreditar pessoas iludidas com a aventura brancoleônica que levou o País ao desmonte da indústria nacional e a entrega de estratégicos e mui ricos recursos naturais, como o petróleo e o nióbio e causando dezenas de milhões de desempregos.

Já Lula agigantou-se ainda mais na consciência política da população. Ele chegou ao palanque com a mesma disposição com a qual começou a depor e se jogou nos braços de toda aquela gente que atravessou o Brasil para acompanhá-lo. As pessoas levaram para os seus estados a injeção de ânimo transmitida pessoalmente por Lula. No fim das contas e para o desespero da imprensa golpista, a força tarefa de salvação do mundo é um bom cabo eleitoral para Lula 2018.

Por Guilherme Silva
Terra Sem Males

Foto: Pedro de Oliveira/ ALEP

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