Livro “A CIA contra a Guatemala” relata experiências do ComunicaSul

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Obra de Leonardo Severo com fotos de Joka Madruga será lançada no próximo dia 23 em São Paulo

Indígena guatemalteca: energia para encarar a discriminação, o desemprego e o subemprego. Foto: Joka Madruga.

Como parte da campanha de solidariedade à nação maia, será lançado no dia 23 de junho (terça-feira), em São Paulo, o livro A CIA contra a Guatemala: movimentos sociais, mídia e desinformação (Editora Papiro, 160 páginas, selo Barão de Itararé), do jornalista Leonardo Wexell Severo, com fotos de Joka Madruga.

Compondo o coletivo ComunicaSul, Leonardo e Joka visitaram a Guatemala em 2013 ao lado da assessora sindical Leandra Perpétuo, da professora Monica Fonseca Severo e do cineasta Caio Plessmann. O farto material coletado em mais de dois mil quilômetros de viagens por fazendas, fábricas e portos se transformou num vídeo, que será lançado ainda este ano.

O foco central da denúncia são os abusos contra os direitos humanos e as perseguições antissindicais, que têm sido a tônica do governo guatemalteco. Prova disso é que o país centro-americano se mantém no pódio dos campeões mundiais de assassinatos e desaparecimentos de lideranças, o que tem repercutido nos salários brutalmente arrochados, nos direitos precarizados e no índice insignificante de sindicalização de 2,2%, reduzida a 1,6% no setor privado.

“Decidi sistematizar em livro a experiência de um ano de convivência com militantes guatemaltecos em Havana, somando com visitas que fiz à América Central e, mais recentemente, as duas viagens à Guatemala. Juntei esta bagagem com a leitura de vários livros e artigos ao longo de mais dois anos e saiu A CIA contra a Guatemala, que espero seja de grande valia para a solidariedade”, explica o autor.

Para João Felicio, presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI), “este é um livro denúncia, que conclama à luta contra a desmemoria e demonstra como a ingerência da CIA e das transnacionais tem representado um duro golpe para a democracia e para a classe trabalhadora na Guatemala”.

A secretária executiva da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip) e coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Rosane Bertotti, destaca a relevância da publicação para uma melhor compreensão da importância da unidade latino-americana e da própria conjuntura. “Com esta contundente descrição dos crimes praticados pelos monopólios de mídia, assim como de seus vínculos com o que há de mais reacionário e entreguista, Leonardo Severo dá mais uma valiosa contribuição ao movimento pela democratização da comunicação”, assinala.

MORTICÍNIO – Com artigos e reportagens sobre a atualidade guatemalteca, o livro faz uma análise histórica da violenta intervenção estadunidense no país, que se deu em função dos interesses da multinacional bananeira United Fruit Company. Impulsionada pela Frutera, a CIA foi acionada para derrubar o governo democrático de Jacobo Árbenz em 1954, o que teve trágicas consequências não só para o país, como para toda a América Latina. Superadas longas décadas de ditadura, que deixaram um saldo de mais de 250 mil mortos e desaparecidos, o país segue sendo governado conforme os interesses de Washington.

LEITURA OBRIGATÓRIA – “Dizer ‘de Guatemala para Guatepeor’ não é nenhuma piada de mau gosto. É a realidade dessa terra que se pode conhecer através das reportagens de Leonardo Severo agora publicadas neste livro, de leitura obrigatória para todos”, afirma o veterano jornalista Paulo Cannabrava Filho, coordenador da equipe de edição dos Cadernos do Terceiro Mundo, que faz a apresentação da obra.

“Pouco sabemos e pouco acompanhamos a vida dos povos, nossos irmãos, latinos. Poucos sabem que na Guatemala houve centenas de milhares de assassinatos e desaparecimentos em trinta anos de ditadura militar. Felizmente, Leonardo Severo traz uma bela contribuição na forma de reportagem para que a militância dos movimentos populares brasileiros conheça mais e tenha admiração pelo heroico povo guatemalteco, lutador e insubmisso”, acrescenta João Pedro Stédile, da coordenação do MST.

“Para este mundo ficar bom, é preciso fazer outro. Sintonizado com esta máxima do Barão de Itararé, Leonardo Severo distribui novas armas para a batalha de ideias”, conclui Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé.

Resgatando o potencial de equipe do coletivo ComunicaSul de comunicação colaborativa, o fotógrafo Joka Madruga, se disse “honrado de poder contribuir para dar visibilidade à luta de um povo bonito e feliz, mas que sofre com a falta de emprego e de alimentação”. “Tivemos a oportunidade de ver de perto um povo achacado e massacrado pelo imperialismo, mas que, apesar de todas as mazelas, não se rende. Pudemos ver o resultado da intervenção do capitalismo, principalmente o norte-americano, para denunciar a perseguição às lideranças, as tocaias, os assassinatos. Agora, com a divulgação de um livro desta dimensão, que mostra o que a CIA fez e faz, vamos poder contribuir para que tanto sangue derramado não seja em vão”, disse.

SOBRE O AUTOR – Leonardo Wexell Severo é redator-especial do jornal Hora do Povo, assessor de Relações Internacionais da CUT, colaborador do Brasil de Fato e da revista Diálogos do Sul e autor de Bolívia nas ruas e urnas contra o imperialismo (2008) e Latifúndio Midiota, crimes, crises e trapaças (2012).

QUANDO – Dia 23 de junho – Terça-feira, das 18h30 às 21h30
ONDE – Livraria Martins Fontes, avenida Paulista, 509 – próximo ao metrô Brigadeiro

Fonte: ComunicaSul

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