MÃES DE MAIO E SUAS 600 VÍTIMAS

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“Eu sou a mãe de uma das 600 vítimas de maio. Meu filho era trabalhador, era gari, e foi executado”, se apresentou Débora Maria da Silva, fundadora e coordenadora do movimento Mães de Maio.

Para resumir a importância do movimento na disputa midiática, Débora contou que Vito Giannotti a chamava de “bandida”. “A bandida que roubou a mídia, que se democratizou para respeitas o movimento das Mães de Maio”.

Para quem não se familiariza sobre o que se trata, as vítimas a que o movimento se refere são os 600 jovens executados no estado de São Paulo entre os dias 12 e 19 de maio de 2006. Nos popularmente chamados “ataques do PCC”.

“A imprensa rotulou a morte dos nossos filhos como ataque do PCC, mas nós fizemos a Globo dizer que somos as vítimas dos Crimes de Maio. O PCC não matou nossos filhos. Eles foram vítimas de uma retaliação de um agente que teve um familiar sequestrado”, contou Débora.

Crítica ao movimento sindical

Débora falou sobre a omissão do movimento sindical com o movimento das mães de maio. “O movimento sindical não toca nesse assunto. E o nosso movimento é de enfrentamento à violência policial”.

Débora citou a luta do movimento pela votação da PEC 51, que está engavetada. É um projeto que prevê a desmilitarização da polícia militar. “A dor da mãe do policial é a mesma dor de uma mãe de vítima e de uma mãe de bandido. Que não pede pra ele ser assim”.

Revolução das mulheres

“Nós somos mulheres, no movimento tem donas de casa que não sabiam pegar um ônibus. E hoje Brasília é pequena pra gente. A revolução vem das mulheres. Colocou o nome das Mães de Maio e eles ficam tremendo”.

3º Seminário de Imprensa Sindical

Na tarde desta quinta-feira, 24 de setembro, a primeira mesa de debates tratou do tema “Os movimentos sociais e a disputa comunicacional no Brasil”, com relatos emocionantes da cacique guarani Kerexu Yxapyry, da Terra Indígena Morro dos Cavalos, e de Débora Maria da Silva, fundadora e coordenadora do movimento Mães de Maio. A jornalista Bia Barbosa, do Intervozes, falou sobre a frente popular de democratização da comunicação.

Saiba mais: Em busca da Terra Sem Males
A luta pela democratização da comunicação

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males/SEEB Curitiba

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