Massacre de Beto Richa deixa mais de 200 feridos

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Polícia atirou bombas durante uma hora e meia contra funcionários públicos.

Foto: Joka Madruga.

Uma partida de futebol. Este foi o tempo que a Polícia Militar passou atirando bombas, de forma ininterrupta, contra os servidores públicos que protestavam pacificamente contra o Projeto de Lei 252/2015. A iniciativa, do Governo Beto Richa (PSDB), está sendo chamada de “Confisco da Previdência” dos servidores públicos. Os atos aconteceram durante a tarde desta quarta-feira (29) no Centro Cívico, o núcleo dos poderes paranaenses.

Professores, funcionários de escola, da saúde, agentes penitenciários e uma série de outros trabalhadores estavam no Centro Cívico quando a Polícia Militar iniciou os ataques. Dados preliminares apontam para mais de 200 pessoas feridas, sendo que aproximadamente 50 foram encaminhadas para hospitais. Algumas em estado grave. A vice-presidenta nacional da CUT, Carmen Foro, foi ferida no braço por uma bomba. “Na minha história de lutadora já fui obrigada a enfrentar a polícia por várias vezes. Ainda mais no meu Estado, o Pará, onde há uma grande violência contra os trabalhadores e trabalhadoras rurais. Mas o que eu vi hoje é muito grave. Todo o aparato do Estado em um combate direto com a população”, analisou.

Carmen também criticou a forma como a situação conduzida pelo governador Beto Richa e seu comando. ”Não comparo isto tudo nem com a ditadura militar, mas com uma guerra civil onde as armas não são iguais. Nunca vi um absurdo desse, uma intolerância e truculência como esta”, criticou. Mas apesar da violência, dos feridos e da votação do projeto, ela avalia: “O que vi fui muita coragem dos servidores públicos desse Estado. Deixa um legado fantástico de luta pelos direitos e cidadania. Os ferimentos passam, o que não passará é a humilhação e a retirada dos direitos”, comentou.

A secretária da mulher trabalhadora da CUT Nacional, Rosane Silva, também acompanhava a mobilização da APP-Sindicato e demais servidores e disse estar perplexa com o que aconteceu. “Nunca tinha visto nada parecido. Já participei de muita greve, muito piquete em porta de fábrica, manifestações contra retirada de direitos como 7 de abril em Brasília. Mas aqui nunca vi em minha vida, desde que milito no movimento sindical, algo como aconteceu aqui no Paraná”, afirmou.

“Foram mais de 90 minutos sob fogos de todos os lados. Não tínhamos noção de onde vinha, de cima, de lado, parecia que eram de todos os lugares. Parecia que estávamos na Faixa de Gaza. Essa foi a nossa experiência ontem”, completou. Para ela, o poder público do Paraná precisa ser responsabilizado. “Foi uma decisão do governo estadual, do governador, do presidente da Assembleia Legislativa, do secretário de segurança e de todo o poder público do Paraná. Eles devem ser responsabilizados pelo que aconteceu aqui ontem. Se o governador fosse um ser humano de verdade deveria pedir para sair do cargo, ele não tem condições de governar o Estado”, enfatizou.

“Nunca vi nada assim na minha vida. O governador Beto Richa e o secretário de segurança Fernando Franschini precisam ser responsabilizados pelo o que ocorreu hoje. Vidas foram colocadas em risco, pessoas estão feridas em estado grave por um único motivo: manifestarem-se de maneira pacífica para defender seus direitos, seu dinheiro acumulado ao longo de décadas. Esse é o choque de gestão prometido pelo governador? O sangue dos trabalhadores e trabalhadoras do serviço público?”, questionou a presidenta da CUT Paraná, Regina Cruz.

Solidariedade
Funcionários públicos ajudaram a carregar os feridos, sejam em carros ou até as ambulâncias que chegaram até o local que parecia uma verdadeira praça de guerra. A APP-Sindicato está apresentando assistência, inclusive jurídica, para todos que sofreram com a violência no local. Postos de atendimento médico foram montados na Prefeitura e no Tribunal de Justiça que compõem o complexo do Centro Cívico, além do próprio SAMU que atendia as vítimas que chegavam.

Uma creche, próxima ao centro dos poderes, teve que ser fechada. Crianças passaram mal com o gás lacrimogênio que espalhou-se pela vizinhança enquanto outras choravam assustadas pedindo por suas mães. A direção da APP-Sindicao já anunciou que pretende entrar com um processo criminal contra o governador Beto Richa para que ele seja responsabilizado pelos atos de violência gratuita que aconteceram em Curitiba nesta quarta-feira.

Por Gibran Mendes
CUT-PR

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