Mineradora Vale não quer pagar a conta e usa o Covid19 para agradar acionistas

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Foto: Joka Madruga

A mineradora Vale S/A anunciou há poucos dias que doará ao Governo Brasileiro 5 milhões de kits para testes rápidos do novo Coronavírus (Covid-19). O anúncio gerou reações positivas na sociedade, principalmente para os acionistas e investidores da empresa para os quais a medida é sinal de responsabilidade social da empresa.

A boa ação, entretanto, faz parte da lógica do funcionamento do capital financeiro, para o qual a confiança na empresa vem dos números nos relatórios de responsabilidade social, que valem mais do que a realidade.

Ao olharmos para as cenas dos crimes na bacia do rio Doce e rio Paraopeba, vemos as milhares de vítimas doentes, seja por danos psicológicos, pela perda dos familiares, com a contaminação do rio, perda de trabalho, insegurança em utilizar a água e as doenças causadas pela contaminação do rejeito.

Entendemos a real necessidade dos testes rápidos do Covid-19 para a população, medida que deveria ser tomada de maneira ampla pelos governos como medida de prevenção a proliferação do vírus.

No entanto, quando vemos as “ajudas humanitárias” transvestidas de oportunismo,  se expõe os reais motivos por traz da ação de uma empresa que se nega a reparar os danos causados pelos rompimentos que se estendem há quatro anos, e quer garantir que seu lucro continue a crescer.

Ainda, mesmo durante esse período de pandemia em que a vida e a saúde de toda a população deveria estar em primeiro lugar, a Vale continua a operar em muitas de suas minas, com medidas inefetivas de contenção do vírus no ambiente de trabalho, colocando em risco não só seus trabalhadores, mas suas famílias e o resto da sociedade.

O Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB está na permanente luta para que a Vale cumpra e assuma que a pauta da saúde dos atingidos e atingidas peles crimes nas bacias dos rios Doce e Paraopeba precisa ser reconhecida.

Ao invés de assumir a responsabilidade e pagar pelos prejuízos que causou, a empresa prefere ações que pareçam humanitárias, socialmente responsáveis e amplamente divulgadas pela mídia, enquanto nos territórios atingidos pelas suas atividades predatórias deixa um rastro de mortes, sofrimento, dor e destruição. 

Fonte: Movimento Nacional dos Atingidos por Barragens

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