MST doa 8 toneladas de alimentos para 600 famílias no Paraná

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Ação é resultado da mobilização de famílias agricultoras de 8 comunidades da Reforma Agrária. Com a partilha deste sábado, o MST chega a 423 toneladas de alimentos doados no estado desde o início da pandemia da Covid-19

As baixas temperaturas presentes na maioria do território paranaense não atrapalharam a mobilização de centenas de famílias assentadas e acampadas, que doaram 8 toneladas de alimentos neste sábado (22). A ação ocorreu nas cidades de Imbaú, Ortigueira e Telêmaco Borba, onde os termômetros marcaram cerca 3 graus no início do dia.

As sacolas distribuídas carregaram feijão, mandioca, beterraba, batata doce, repolho, couve-flor, banana, laranja, ponkan e uma variedade de alimentos cultivados pelos agricultores e agricultoras. Além dos frutos da terra, 600 pães e bolachas caseiras, também produzidos pelas famílias, incrementaram as doações.

Cerca de 600 famílias em situação de vulnerabilidade receberam os alimentos, a partir da distribuição em três bairros e na igreja matriz de Ortigueira; em quatro bairros e na igreja matriz de Imbaú; e no Centro Promoção Humana de Telêmaco Borba.

A iniciativa faz parte da campanha nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em solidariedade a quem enfrenta o desemprego e a fome neste período de pandemia do coronavírus, e também pelas políticas insuficientes do governo Bolsonaro.

Participaram da ação o assentamento Guanabara, localizado em Imbaú, os assentamentos Iraci Salete, Padre Josimo, Imbauzinho, Libertação Camponesa, Índio Galdino, e pelos acampamentos Gonzaga 1 e Gonzaga 2, todos de Ortigueira.

Sirlene Morais, integrante da direção estadual do MST e produtora agroecológica do assentamento Guanabara, acompanhou a mobilização ao longo dos últimos dias e relata o que viu: “Foi uma semana bastante fria e chuvosa na nossa região, mas mesmo assim a gente sentia o calor humano e a alegria das pessoas em poder estar fazendo parte deste ato de solidariedade”.

Cada família contribuiu como pode, e houve surpresas como a doação de aproximadamente 500 quilos de mandioca por uma única unidade de produção: “O nosso povo já traz consigo o dom de ser solidário, porque nós vivenciamos o acampamento e aprendemos sempre, na luta, a repartir aquilo que temos, e não é distribuir as migalhas”.

Assim como em outras regiões do Paraná, as comunidades de acampamento também têm fartura de produção e participaram ativamente das doações. É o que conta Jocelayne Carlos Fernandes, moradora do acampamento Luiz Gonzaga 1 e integrante da coordenação do MST. “Nós estamos oferecendo o que há de melhor e em nossas áreas, alimento saudável e agroecológico. Em meio a essa pandemia, nós trouxemos a nossa contribuição pra essas famílias que mais precisam”.

Desde o início de abril, mais de 2.800 toneladas de alimentos foram doadas por famílias do MST em todo o Brasil – 423 toneladas somente no Paraná, somando a ação deste sábado. Também já foram produzidas e distribuídas cerca de 11.200 marmitas em Curitiba.

Fartura que é resultado da Reforma Agrária

Uma das comunidades do MST que se somam à ação é o assentamento Guanabara, localizado em Imbaú. A área de um latifúndio improdutivo foi ocupada por famílias Sem Terra em 1989. Após inúmeros conflitos, ameaças de despejo e até incêndios criminosos provocados no acampamento, o decreto de desapropriação da área foi publicado em 1995, abrindo caminho para a formalização do assentamento.

De lá para cá, a comunidade se desenvolveu com destaque para produção agroecológica. Por transformar uma área antes improdutiva em terras de fartura de alimentos, o assentamento é reconhecido por contribuir com a evolução socioeconômica do pequeno município de aproximadamente 13 mil habitantes.

Miriam, os pais e duas irmãs moraram durante 7 anos em acampamentos, até que conquistaram o acesso à terra com a criação do assentamento Guanabara. “Nosso objetivo, como de qualquer outra pessoa, foi a terra. Era o nosso sonho ter a terra pra plantar, colher, e até ajudar as pessoas mais necessitadas, porque quando a gente está em acampamento  a gente sabe a necessidade que o povo passa, muitas vezes até a fome”.

Assentada na comunidade Guanabara, a agricultura produz mandioca e comercializa em mercados e restaurantes da cidade. “Agora estamos junto com o nosso povo para ajudar aqueles mais necessitados com uma cesta dos produtos nossos. Eu só tenho a agradecer ao Movimento”.

Vanessa e Karina, também moradoras do assentamento Guanabara, fizeram parte da produção de 300 pães caseiros entregues a famílias carentes da cidade. Elas integram a padaria local Delícias do Campo, que comercializa panificados em feiras e cafés-coloniais da região.

“Estamos muito felizes por estar podendo compartilhar aquilo que nós fazemos há muito tempo, aquilo que nós amamos, que é a produção de panifício. Mais do que isso, agora estamos podendo partilhar com famílias de Imbaú”, conta Karina.

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