MST-PR doa 10 toneladas de alimentos saudáveis a famílias, abrigo e hospital de Cascavel, no Paraná

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Desde o início da pandemia da covid-19, famílias Sem Terra do Paraná doaram cerca de 165 toneladas de alimentos.

Por Setor de Comunicação e Cultura do MST-PR

Comunidades do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) da região oeste do Paraná se uniram para doar mais de 10 toneladas de alimentos em Cascavel, nesta sexta-feira (5). Os alimentos foram distribuídos a centenas de famílias em situação de vulnerabilidade do bairro Interlagos, ao Hospital do Câncer de Cascavel (UOPECCAN) e ao abrigo São Vicente de Paulo. 

É a terceira vez desde o início da pandemia da covid-19 que as famílias Sem Terra da região doam alimentos a entidades e moradores da periferia. Desta vez, a ação envolveu 17 acampamentos e assentamentos, das cidades de Santa Tereza do Oeste, Matelândia, Ibema, Cascavel, Diamante D’Oeste, Ramilândia, São Miguel do Iguaçu e Catanduvas. 

A iniciativa marcou o lançamento do Plano Emergencial de Reforma Agrária Popular, ocorrido em todo Brasil nesta sexta-feira. A proposta apresenta medidas para enfrentar de maneira imediata o aumento da fome e da crise econômica, causadas pela irresponsabilidade do atual governo e ampliadas com a pandemia do coronavírus.

A data foi escolhida para marcar o Dia Mundial do Meio Ambiente e demarca a defesa do modelo agroecológico de produção de alimentos, com preservação da biodiversidade, cultivos de alimentos sem veneno e relações humanas justas.

“Esse plano visa dialogar com a sociedade e com o governo para que assentem as famílias acampadas no Brasil inteiro, gerando assim trabalho, qualidade de vida e abundância de alimentos”, explica Armelindo Rosa da Maia, produtor agroecológico no assentamento Valmir Mota, em Cascavel, e integrante da direção estadual do MST.

A dirigente apresenta a solidariedade a partilha das famílias Sem Terra como a comprovação dos resultados da reforma agrária e da luta pela terra: “Lá, onde se deu a origem a partir desse conflito na luta pela terra no estado, hoje aqueles e aquelas que se dispuseram a lutar e viver na terra a partir do processo da reforma agrária, nos nossos assentamentos e acampamento, essas pessoas hoje podem doar os alimentos produzidos”. Ceres e Werner Fuchs, pastor luterano e primeiro presidente do CONSEA-PR e membro do Consea nacional de 2004 a 2016,  participaram de uma entrevista ao vivo sobre o tema na página do jornal Brasil de Fato Paraná.

Partilha dos frutos da terra 

Mais de 20 variedades de alimentos saudáveis, a maioria produzida na maneira agroecológica, saíram das roças e hortas das famílias Sem Terra para os lares de quem mais precisa na cidade. Cerca de 450 pães também foram produzidos pelas próprias famílias e compuseram a sacola doada. 

As centenas de pessoas que receberam os alimentos foram indicadas pelo Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) da cidade, por estarem em maior situação de vulnerabilidade. Cada família beneficiada pode levar para casa uma sacola com cerca de 18 quilos de alimentos. 

O horário combinado para o início da entrega dos alimentos era às 14h, no entanto, mais de uma hora antes uma grande fila começou a se formar de fora do barracão do bairro Interlagos. Entre as centenas de pessoas estavam muito idosos e crianças. 

Alessandra Felisbina Rodrigues, 23 anos, foi até lá com a mãe e os três filhos pequenos. Antes da quarentena a jovem trabalhava como diarista, mas agora tem respeitado o isolamento especialmente porque o filho caçula tem problemas de saúde. “Tá difícil. Antes já era complicado conseguir trabalhar, imagina agora”. 

Elenice Felisbina Rodrigues, mãe de Alessandra, tem 38 anos e também trazia renda para dentro de casa com o trabalho de diarista. Ela relata já ter morado de aluguel, mas hoje vive em uma ocupação urbana de Cascavel. “A gente não tem um lar próprio, uma renda própria, um endereço próprio pra procurar serviço. A gente fazia umas diárias, hoje não estamos mais fazendo por causa da pandemia”, relata.

A trabalhadora conta que “se criou” no MST e tem familiares já assentados. “Nós não conseguimos, não tivemos a mesma sorte”, lamenta, ao falar na demora para o assentamento. “Espero que Deus agradeça vocês [MST]”, deseja Elenice.

“Agradecemos do fundo do coração a todo mundo que ajudou”, diz Sonia, encarregada do RH do abrigo São Vicente de Paulo, de Cascavel, para as milhares de famílias dos assentamentos e acampamentos do oeste do Paraná doaram os alimentos.

Acesso à terra que gera fartura 

As comunidades do MST no Paraná começaram a doar alimentos em meados de março, no início da quarentena, e desde o mês de maio se organizam em mutirões por grandes regiões. Cada semana tem se convertido em tempo de organização e trabalho coletivo, com envolvimento de centenas de famílias Sem Terra.

Na doação feita esta semana pela região oeste as doações vieram dos acampamentos 1º de agosto, Dorcelina Folador, e Resistência Camponesa, e dos assentamentos Valmir Mota de Oliveira e Santa Terezinha, todos de Cascavel; do acampamento Nova Semente, de Catanduvas; do acampamento Sebastião Camargo e do assentamento Antonio Companheiro Tavares, da cidade de São Miguel do Iguaçu; do assentamento Santa Isabel de Missal, assentamento 16 de Maio e pré-parcelamento 28 de Outubro, de Ramilândia; do assentamento Ander Rodolfo Henrique, de Diamante D’Oeste; do acampamento Chico Mendes, de Ibema; dos acampamentos Chico Mendes e Padre Josimo, de Matelândia; e assentamento Sepé Tiaraju e Olga Benário, em Santa Tereza do Oeste.

Muitos agricultores e agricultoras que atualmente doam parte da sua produção vivem em constante tensão pelo risco de despejo. Somente em 2019, o governo de Ratinho Júnior (PSD) permitiu a reintegração de posse de 9 comunidades, deixando cerca de 500 famílias em moradia, local de produção de alimentos.

Com as doações realizadas em Cascavel nesta sexta-feira, número de comunidades do MST do Paraná que se mobilizaram em doações de alimentos passa de 100. Ao todo já foram doadas mais de 165 toneladas de alimentos saudáveis.

Em Curitiba, cerca de 3.600 marmitas agroecológicas foram doadas a pessoas em situação de rua e moradores de bairros da periferia. As refeições são produzidas todas as quartas-feiras por militante do MST e pessoas voluntárias, e levam produtos vindos de comunidades do movimento de várias regiões do estado. Também foram produzidas e distribuídas 400 máscaras de tecido.

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