O jornalismo calhorda!

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Por Davi Macedo

“Erra na primeira braçada. É, ele não vale uma naba”. Esse pequeno trecho da música “surfista calhorda”, da banda gaúcha Os Replicantes, não me sai da cabeça… Um clássico do punk rock nacional cuja letra fala de um playboyzinho poser financiado pela tia milionária.

Gosto muito da música e da banda, mas a composição me atazana nesses últimos dias por causa de mais uma canalhice no jornalismo paranaense, que desta vez vem lá do velho oeste, da cidade de Cascavel, onde vivi dos 5 aos 19 anos. O jornal Gazeta do Paraná, de linha editorial extremamente conservadora, claramente aliado político da direita e do agronegócio, publicou a matéria “’Mamata’ continua no setor público?”. De autoria do jornalista Fernando Maleski, a reportagem suspostamente investigativa tinha tudo para cumprir o papel social relevante do jornalismo de fiscalização do Poder Público, mas passou longe disso ao caracterizar perseguição a um servidor da Câmara de Vereadores. Com essa finalidade, Maleski distorceu uma série de fatos e atacou severamente um colega de profissão.

A vítima em questão é Júlio César Carignano (JC), assessor do vereador Paulo Porto (PCdoB) e diretor do Sindicato dos Jornalistas do Paraná (Sindijor). Maleski até tentou maquiar o objetivo da reportagem, mas a sanha por atender os interesses dos patrõezinhos logo é percebida, quando cita que o jornal solicitou à Câmara informações detalhadas sobre o ponto dos servidores comissionados da Casa, mas que apenas recebeu “documentos de poucos servidores”. O único exemplo para ilustrar a “investigação” foi justamente o do jornalista JC, uma das pouquíssimas vozes dissonantes da ordem política estabelecida há décadas na cidade. Disse que tentou procurar o servidor, mas ele havia faltado ao trabalho naquele dia.

Maleski, com todo seu faro fino de investigador, procurou na página de JC no Facebook e descobriu que naquele dia ele estava em Curitiba participando do seminário Democracia na América Latina, promovido pelo Laboratório de Cultura Digital da Universidade Federal do Paraná e que contou com a participação do senador e ex-presidente uruguaio José Pepe Mujica. Nada me tira da cabeça que a pauta deva ter surgido somente após ver a foto de Júlio na rede social. Nas palavras de Maleski, JC foi à capital para uma manifestação “Fora Temer”. No evento, o público até entoou um “Fora Beto Richa”, mas isso de forma alguma interessaria ao escriba e seu patrão. A verdade é que JC esteve em Curitiba para representar o vereador que assessora e, no mesmo dia, ainda foi ao município da Lapa para participar da abertura da Jornada de Agroecologia, também a pedido do parlamentar Paulo Porto.

Quem conhece JC sabe de sua dedicação ao trabalho na Câmara de Vereadores. Justamente por ser de assessoria parlamentar não significa que o labor ocorra sempre na Casa de Leis, talvez pelo contrário, o bom assessor está junto à comunidade e quando necessário representa o vereador em eventos, como o Seminário Democracia na América Latina. Retidão e esforço são características peculiares a JC.

Fiquei curioso sobre quem seria esse jornalista que persegue um companheiro. Uma passada de olho em seu perfil Facebook já diz muito sobre quem é essa pessoa. Compartilhamentos de notícias mentirosas já desmascaradas e uma série de outros absurdos. Exemplos? Fotinha do prefeito Edgar Bueno com fantasia do Super Homem. Vale lembrar que Bueno chegou a perder o mandato e ter seus direitos políticos suspensos por três anos, mas recorreu da decisão. Outro exemplo? Imagem com agradecimento a Eduardo Cunha por derrubar a “máfia petista”. Só mais um e eu paro, juro! Publicação de resultado de enquete do site do senador Álvaro Dias sobre a avaliação da população ao interino e golpista Michel Temer, na qual 91% aprovam o governo e 9% desaprovam (argh!).

Como bem disse outro camarada, o também jornalista Gibran Mendes, “ser atacado por este tipo de gente significa apenas que o caminho que está sendo trilhado é correto”. Toda essa história me traz, além de profunda indignação, a certeza de que a Gazeta do Paraná e Maleski virão sempre à mente quando ouvir a música dos Replicantes. Uma pena!

“Ah, surfista calhorda
Vai surfar lá pra borda!”

Em tempo: a quem serve?
O jornal Gazeta do Paraná é de propriedade de Marcos Formighieri. Quando disputou o cargo de deputado estadual nas eleições de 2006 pelo PMDB, declarou à Justiça Eleitoral patrimônio superior a R$ 55 milhões, entre participação em empresas de comunicação (rádios e jornais), imóveis, propriedades rurais, jóias, entre outros.

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